Campo Grande será palco da celebração de uma tradição que reúne família de descendentes de portugueses, com influências de italianos, há 50 anos. Um jogo de bingo feito em casa nas tardes de todo dia 1º de cada ano representa a união dessa grande família que tem parentes espalhados por várias cidades.
A responsável por contar a história é uma das três irmãs, Elexina Medeiros D'ângelo, que gosta de ser chamada de Sina. Ela conta que a família passa a virada sempre reunida, a cada ano a festa é na casa de um parente, hoje, será em Campo Grande.
A tradição de jogar tombola, conhecido no Brasil como bingo, veio da Itália, de onde vem parte das raízes da família, e começou com o pai também das irmãs Cristina e Dylma. A diferença entre o jogo brasileiro é que por aqui as cartelas são descartáveis.
A rotina dos parentes é a mesma iniciada há 50 anos pelo pai das meninas quando ele ainda vivia no Brás, bairro de São Paulo. Mesmo com a morte do patriarca, a tradição foi levada adiante e hoje o dia 1º é marcado pelo bingo.
O Réveillon da família Medeiros é como o de qualquer outra, mas a curiosidade começa mesmo depois do almoço do primeiro dia do ano, quando geralmente “as sobras” da virada são reaproveitadas em belos pratos.
Depois que todos tiram o tradicional cochilo da tarde, a movimentação para o bingo começa. Eles geralmente jogam até 21h ou 22h e só param para a janta, que como uma boa família com raízes italianas, é repleta de pizzas.
“Durante o ano, nós vamos juntando prendas para usar como prêmio do bingo. No fim do bingo, tudo acaba em pizza. A gente também arrecada dinheiro e quem leva o prêmio máximo paga a pizza para todo mundo”, conta Sina.
Nesses últimos 50 anos, a família só deixou de jogar o bingo duas vezes, mas o motivo superou qualquer ânimo de festejar. “Só não jogamos quando meu pai e minha mãe faleceram, não tinha clima, mas depois disso seguimos e sempre passamos a tradição para a frente”.
Com tantos anos de jogos, várias curiosidades são lembradas pela família. Uma delas foi quando Sina levou como prenda para o bingo uma dúzia de gnomos decorativos, ela mesma reconhece que eles eram feios e ninguém queria ganhar o prêmio.
Quem levou os gnomos de louça foi uma das irmãs, a Cristina. Nos anos seguintes, toda vez um ou outro gnomo aparecia entre as prendas, sinal de que o prêmio não agradou mesmo.
“A gente junta várias coisas para a brincadeira, brinquedo para crianças, camiseta unissex, corte de tecido, coisas de utilidade para casa, lar, coisas assim, a gente procura variar, tem até lego aqui”, conta a irmã.
Independente dos prêmios que cada um leva para casa, o que a família ganha mesmo é a união que é repassada a cada geração.
Várias prendas são levadas pelos presentes (Foto: Bruno Henrique/Correio do Estado)