Uma guerreira com arco e flecha e uma ilustradora com talento e paixão pela arte 3D. Essas são Ponami e Marina Torrecilha, 26 anos, respectivamente uma heroína de jogo para celular e sua criadora. Em um ambiente ainda predominantemente masculino, Marina uniu este talento e paixão para desenvolver personagens, cenários e roteiros para games em Campo Grande.
Sócia da empresa Jogos Aurora, ela já criou a arte de dois jogos para celular e está desenvolvendo personagens e cenários do terceiro, chamado Ponami, que tem lançamento previsto para março de 2016. A empresa conta ainda com o programador Pedro Schabib e o músico Yan Braga.
Marina, que sempre foi apaixonada por desenhos, é formada em artes visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e passou sete meses em São Paulo, onde fez um curso de desenho 2D e 3D, técnica com a qual sempre desejou trabalhar.
“Meu sonho era trabalhar com animação, roteiros para filmes curtas ou longas ou jogos”, disse a ilustradora digital. Porém, a ideia de criar uma empresa para desenvolver um jogo surgiu por acaso, quando esperava por um voo no aeroporto.
Quem viaja de avião sabe que a espera pelas conexões pode ser excessivamente longa e entediante. Foi o que aconteceu com Marina e o namorado, Pedro Schabib, em uma viagem para o Chile. O tempo de espera foi preenchido em boa parte com os jogos de celular.
Percebendo que mais pessoas também passaram o tempo no celular, o casal teve a ideia de desenvolver um game para aparelhos móveis.
Na época, Marina trabalhava como designer de multimídia em uma empresa, onde já produzia jogos educativos. Portanto, para tirar a ideia do papel ela se uniu ao namorado, que faz toda a programação do jogo, e ao músico Yan Braga, que cria a trilha sonora. Ela é responsável por toda a parte gráfica e criação do enredo.
Os dois primeiros jogos desenvolvidos, Laser Defense e Dragon Rings, tiveram boa aceitação pelo público alvo, somando mais de 5 mil downloads.
Painel com arte do jogo foi exposto em gráfica da Capital (Foto: Arquivo pessoal)Maria trabalha agora na criação gráfica do jogo de plataforma, chamado Ponami, que tem como personagem principal uma guerreira arqueira, que tem como missão salvar os habitantes da Cordilheira de Sajor, seu povoado, e descobrir as origens de sua existência.
"Eu gosto de criar arte de guerreiras e mulheres, é uma coisa muito forte a gente querer se inspirar e ter uma heroína, uma referência com a qual você se identifica", disse, explicando que a personagem é baseada em uma mitologia andina.
Apesar de gostar de jogos "vintage", como Pokémon, Mario e outros dos anos 90, Marina explica que sua maior paixão sempre foi pela arte e não se define como gamer.
Sobre preconceito por ser mulher em um ambiente ainda formado por maioria masculina, Marina diz que nunca foi menosprezada pelos meninos, pelo contrário, sempre teve apoio. "O preconceito é mais com quem joga. Quando eu jogo online tem um pouco mais de julgamento, mas como criadora de jogo é o contrário, tem admiração, respeito, dicas, vontade de se relacionar, é bem diferente", conta.
Mesmo sem ainda ter sido lançado, Marina construiu um painel com as primeiras imagens da guerreira, que ficou exposto por cerca de quatro meses em uma gráfica da Capital.
Como o mercado ainda é novo em Campo Grande, as criações de jogos ainda são um hobby para a artista, que faz outros trabalhos como freelancer.
Além disso, todos os jogos são grátis, portanto, quem tiver interesse em apoiar financeiramente o projeto, pode fazer uma doação a partir de R$ 1 pelo site apoiase.com/jogosaurora. Todo apoio será recompensado. Na mesma página é possível fazer o download dos dois primeiros jogos lançados pela equipe do Jogos Aurora.
Todo cenário é construído a mão pela ilustradora (Foto: Arquivo pessoal)