Funcionário de lava a jato, de 19 anos, foi mantido em cárcere privado e espancado sob acusação de furto de veículo, ontem (5), em Campo Grande. Dois empresários teriam participado do crime.
A vítima contou à polícia que o estabelecimento, onde atuava havia dois dias, presta serviço para uma locadora de veículos, instalada nas imediações do Aeroporto da Capital, e a rotina dos funcionários é levar e pegar carros para serem lavados. Ontem, o rapaz junto com um colega, saíram para devolver carros que haviam sido higienizados e a vítima chegou na locadora, mas o colega não.
Diante disso, o dono da locadora teria mantido o jovem na empresa sob a afirmação de que não sairia até que o outro funcionário do lava a jato chegasse. Neste período, a vítima teria sido acusada de, junto com o colega, terem furtado o automóvel, de modelo não divulgado, para ser levado ao Paraguai.
Segundo registro da polícia, no momento em que o rapaz anunciou que iria embora, foi dominado pelo dono da locadora e atacado, por trás por outra pessoa, com um golpe mata-leão. A vítima teria perdido a consciência e quando recobrou estava amarrada com os braços para trás, sendo agredida com socos e chutes por um grupo.
No ato da denúncia, policiais constataram que o jovem tinha lesões no pescoço e marcas no braço esquerdo. A vítima revelou que o dono do lava a jato e da locadora participaram do espancamento. Documentos pessoais e um relógio da vítima teriam desaparecido.
CASA DA MÃE
Enquanto o rapaz era mantido em cárcere privado, outro responsável pelo lava a jato foi até a casa da mãe do rapaz, acusando-o de furto do veículo e que ele seria liberado somente depois que o carro aparecesse.
A mãe ainda tentou seguir o homem, mas não conseguiu e, sem saber o endereço da locadora, foi até o lava a jato onde chegaram três pessoas dizendo que haviam dado uma surra em um menino, na locadora. Ela acredita que estivessem se referindo ao seu filho.
A reportagem do Portal Correio do Estado ligou para o delegado Alberto Luiz Carneiro, da delegacia plantonista do Centro, que registrou o caso, para saber como a vítima saiu do cárcere, mas ele disse que não tinha informações. Também não esclareceu se o carro, supostamente, furtado apareceu. Nenhum suspeito foi preso.