Continuarão presos, por tempo indeterminado, os policiais militares Larissa Melgarejo Zapatta, Ivanderson Zanardi Aguirre e Ivan Luiz da Silva. Os três foram detidos na noite da terça-feira (19) suspeitos de agredir um adolescente de 15 anos durante abordagem. A decisão de manter os militares presos saiu há pouco, durante audiência de custódia no Fórum de Campo Grande.
De acordo com a Associação dos Cabos e Soldados, a Justiça não seguiu o parecer o Ministério Público Estadual (MPE), que se manifestou pela soltura dos policiais.
Advogado dos policiais, Deiwes Bosson Nantes afirma que irá recorrer ao Tribunal de Justiça para que os militares sejam soltos.
Antes da audiência, na manhã de hoje, vários policiais se reuniram em frente ao Fórum da Capital para protesto e apoio aos policiais.
CASO
Segundo relato do pai da vítima, de 52 anos, o garoto foi levado para uma casa abandonada no bairro Silvia Regina, onde foi agredido com pedaço de madeira durante horas. A identificação dos militares não foi divulgada.
À reportagem do Portal Correio do Estado, o pai do garoto disse que por volta de 13h30min, o filho dele estava na garupa de motocicleta conduzida por um conhecido, quando receberam ordem de parada de policiais que passavam pela avenida Júlio de Castilhos.
O condutor da moto desobedeceu a ordem dos policiais, pediu para o adolescente descer e fugiu. O motivo da fuga, segundo o pai do garoto, era que o condutor da moto não tinha habilitação e o documento do veículo estava atrasado.
Segundo o relato, quando os policiais viram o adolescente, ordenaram que ele entrasse na viatura e o levaram para uma casa abandonada, onde deram início a uma sessão de tortura. "Eles queriam que ele contasse o endereço do rapaz, mas ele não sabia e deu o endereço da minha casa. Eu nem sabia que ele estava com policiais".
Quando os policiais chegaram na casa, o garoto estava na viatura e teria gritado por socorro. Os PMs deixaram o local, mas o pai do adolescente passou a perseguir a viatura. Ele anotou o número do veículo e acionou o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), onde foi informado de que não haviam registrado nenhuma ocorrência contra o o filho dele.
"Meu filho foi agredido com pedaço de pau. Se ele tivesse feito algo, deveriam ter levado para uma delegacia especializada. Trataram menor como bandido", declarou o pai.
O garoto foi deixado pelos policiais no bairro José Abrão e teve de voltar para a casa a pé, porque, segundo o pai, o chip do celular dele foi quebrado pelos policiais. O adolescente tinha sido apreendido pela polícia e investigado em outras duas ocasiões.
Para associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACS) a prisão dos policiais foi injusta em razão de suposta falta de provas nos depoimentos.
"Até que se prove o contrário, as prisões são desestímulo aos policiais que querem trabalhar de verdade", disse o presidente da ACS, Edmar Soares da Silva.