Investigado por corrupção e primeiro de três réus a depor nesta sexta-feira (5) no Tribunal de Justiça, Ronan Edson Feitosa de Lima rebateu declarações recentes do prefeito Alcides Bernal (PP) e do também réu Gilmar Olarte. Ele afirmou que era bem próximo dos dois durante a campanha eleitoral, “eu funcionava como um calmante para eles”, disse Ronan durante depoimento.
A fala de Ronan aos desembargadores durou cerca de 2 horas. Ele admitiu ter coordenado campanha eleitoral de Bernal e Olarte e afirmou que era bem próximo de ambos, tanto que tocava violão para acalmar os candidatos aos fins de tarde, na produtora onde a campanha eleitoral era gravada.
Ronan é acusado de ser o intermediário de esquema que usava cheques de terceiros com agiotas em troca de promessas de cargos.
Nas últimas duas semanas, Ronan afirma ter recebido visitas de pessoas ligadas a Bernal. Um deles seria vereador de Corumbá e outro, o vereador de Campo Grade, Cazuza (PP).
Em ambos os encontros, segundo o réu, os políticos tentaram convencê-lo a propor à Justiça delação premiada. O objetivo seria “entregar” ações corruptas de Olarte e livrar Bernal de qualquer participação no esquema. Ronan afirmou ter ignorado os conselhos.
“Minha desgraça foi por falta de comprometimento”, disse Ronan ao afirmar que o valor arrecadado na troca de cheques ficou entre R$ 120 a R$ 140 mil.
Depois de Ronan, Luiz Márcio dos Santos Feliciano, outro investigado, também iria depor, mas em razão da defesa apresentar laudo de insanidade, ele foi representado pela esposa Ana Maria Feliciano.
Em menos de 15 minutos, ela admitiu ter sido comissionada na Casa da Mulher Brasileira durante a gestão Olarte. Os empréstimos da caminhonete Mitsubish Triton, para o prefeito afastado, ocorreriam eventualmente. A compra do veículo, conforme Ana Mara Feliciano, ocorreu por indenização recebida do Exército e empréstimo no banco Santander.
O último depoimento, que começou há pouco, é do prefeito afastado Gilmar Olarte. Não há previsão para o término da sessão.