Depois que o Correio do Estado revelou, nesta terça-feira (16), gravação “explosiva” de conversa entre guarda municipal e ex-motorista do prefeito afastado Gilmar Olarte (PP), Fabiano de Oliveira Neves, e o advogado do prefeito Alcides Bernal (PP), Antonio Trindade, a repercussão entre vereadores foi imediata. A maioria afirma que as investigações precisam continuar e que o Ministério Público Estadual (MPE) foi “induzido ao erro”.
No áudio que você confere no fim da reportagem, o advogado de Bernal orienta Fabiano, antes dele depor ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que minta nas declarações e incrimine o ex-governador André Puccinelli (PMDB).
A investigação do Gaeco é sobre suposto esquema de compra de votos dos vereadores para cassação do mandato de Bernal, em março de 2014.
Em um dos trechos da conversa, o advogado diz que o motorista deve afirmar que viu o ex-governador entrando na chácara do secretário municipal de Governo na gestão Olarte, Rodrigo Pimentel, onde aconteceriam reuniões entre o então prefeito e vereadores para supostamente tratar da cassação de Bernal.
Fabiano respondia que nunca viu André entrar na chácara, mas o advogado insistia para que as declarações fossem nesse sentido.
Confira abaixo o que alguns vereadores disseram sobre a revelação da gravação:
João Rocha (PSDB): “Confiamos que a Justiça vai fazer todas as investigações. Entendemos que o MP foi induzido ao erro pelo que se apresenta, vamos acompanhar pois adotamos os procedimentos necessários. A Casa de Leis de Campo Grande cumpriu com seu papel",
Mario Cesar (PMDB): “O MP foi induzido a ter entendimento equivocado. A fraude, se houve, foi das pessoas que foram lá [coagidos a mentir]. O MP foi vítima desse grupo que quer provar que a cassação foi ilegal".
Edil Albuquerque (PMDB): "Preocupa essa questão atingindo o MP, tenho dúvidas e é preciso rever o que foi investigado".
Chiquinho Telles (PSD): "Confio no Gaeco. O depoimento do Fabiano é muito sério e houve um desgaste. O Gaeco precisa se aprofundar nas investigações".
Paulo Siufi (PMDB): "Tinha certeza de que sempre foi tendencioso o depoimento. Quem vai espontaneamente ao Gaeco? Que a OAB veja quem são esses advogados que fizeram essas maracutaias. É provável que haja mais depoimentos fraudulentos. Vou entrar com uma representação".
Procurados pela reportagem, os vereadores Derly dos Reis, o Cazuza (PP) e Luiza Ribeiro (PPS) afirmaram que ainda não tinham conhecimento do teor da gravação, que você pode conferir abaixo: