O primeiro contato da Central de Regulação com os hospitais de Campo Grande ocorreu no fim da manhã de domingo (21), quando os estabelecimentos da Capital informaram que não havia vaga para outro paciente.
Por meio do mecanismo "vaga zero", Sebastião Nogueira da Silva, 62 anos, deveria ser obrigatoriamente atendido no Hospital Universitário, mas nenhum leito foi disponibilizado.
Depois de oito horas de espera em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel uma vaga foi aberta para ele no Hospital Regional, mas ele não resistiu e morreu antes de receber atendimento.
O caso de Sebastião expõe o caos na saúde pública em que hospitais operam com superlotação. Mas para a Secretaria de Estado de Saúde (SES) não houve negligência no caso dele porque já havia a informação da falta de vagas.
"Na UTI móvel havia aparelhagem adequada para estabilizar o paciente e fizeram o que tinham que fazer, mas estamos trabalhando com situação crítica de vaga zero com o cenário crítico de superlotação", informaram.
Em entrevista anterior ao Portal Correio do Estado, o titular da Secretaria de Estado de Saúde, Nelson Tavares reforçou a tese de que não houve nenhum tipo de negligência. “o atendimento na UTI móvel é feito por médico. Ela tem todos os aparelhos necessários. O caso desse paciente era grave e não relaciono a morte dele com a demora pela transferência para hospital”, disse.
Por meio de nota, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian informou que os encaminhamentos de pacientes pelas Secretarias de Saúde do Mato Grosso do Sul e de Campo Grande têm levado o (Humap) a situações extremas como o caso de Sebastião.
"Vale ressaltar que o Hospital Maria Aparecida Pedrossian, por ser universitário, deve funcionar na retaguarda de outras unidades de saúde, não podendo, dadas suas características voltadas ao ensino e à assistência, ser a única opção para casos de saúde graves e que necessitem de atendimento emergencial.
Sobre o paciente Sebastião Nogueira da Silva, o Humap informa que recebeu pedido da Central de Regulação Estadual às 11h desse domingo (22) para atendimento. O hospital prontamente informou que não contava com vagas e nem respiradores disponíveis.
Entretanto, por volta das 16h, o paciente chegou à porta do hospital de ambulância, onde permaneceu. O hospital comunicou novamente os gestores da central de regulação que não conseguiria atender ao paciente. Às 19h, chegou a informação de que o paciente seria direcionado para hospital regional, fato que aconteceu por volta de meia noite".
O CASO
Sebastião Nogueira da Silva, 62 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira (22), depois de passar quase oito horas dentro de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel esperando por atendimento na porta do Hospital Universitário, em Campo Grande.
Morador de Costa Rica, o paciente chegou à Capital na tarde de domingo (21) e ficou aguardando por vaga até o período noturno, quando familiares da vítima chamaram a polícia para tentar resolver a situação.
Sebastião foi levado para o Hospital Regional, mas não resistiu.