Depois que a Justiça definiu data para saída dos catadores do aterro sanitário de Campo Grande, no bairro Dom Antônio Barbosa, os trabalhadores questionam a ordem. Nesta terça-feira (23), a prefeitura da Capital “entrou na briga” e reunião entre Judiciário, Ministério Público e Defensoria deve ocorrer entre hoje e amanhã. O principal motivo da revolta é que a Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR) não tem capacidade para abrigar todos.
Em decisão publicada na sexta-feira (19), o juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, aceitou pedido da concessionária Solurb e proibiu, a partir do dia 28 de fevereiro, acesso de catadores na área de transição do aterro.
O magistrado estipulou multa diária de R$ 10 mil aos catadores e uso de força policial se houver descumprimento. Para tomar a decisão, o juiz se baseou em relatório de oficial de Justiça que constatou a conclusão da obra da UTR, para onde os catadores que atuam no lixão devem ser transferidos.
Revoltados, os trabalhadores questionam a decisão e afirmam que a UTR não tem capacidade para abrigar os 450 catadores que hoje tiram o sustento do aterro sanitário.
O prefeito Alcides Bernal (PP) foi até o lixão no final da manhã e disse ao Portal Correio do Estado que entre hoje e amanhã irá marcar reunião com Defensoria Pública, Ministério Público e Judiciário. Comissão formada por catadores também participará do diálogo.
Catadora no lixão, Janaína Leão, de 34 anos, afirmou que não há capacidade para que todos os trabalhadores sejam transferidos para a UTR. “Vamos esperar essa reunião, mas não temos para onde ir”, afirmou.
UTR
Quando foi inaugurada, em agosto do ano passado depois de mais de 8 anos de atraso, a Unidade de Tratamento de Resíduos começou a receber cerca de 60 trabalhadores cadastrados por cooperativas e que preferiram deixar o lixão, mesmo ganhando menos.
Na época, a concessionária responsável por finalizar a obra, a CG Solurb, afirmou que a unidade tinha capacidade para 414 catadores, ou seja, somando com os 450 que trabalham hoje no lixão, a unidade teria superlotação, situação temida pelos catadores.