Cidades

LAVA JATO

Mulher de Santana diz que era pressionada a fazer caixa dois

Mônica Moura disse que dinheiro foi recebido em campanhas na Venezuela e Angola

Redação

25/02/2016 - 16h23

A mulher do marqueteiro João Santana, Mônica Moura, disse aos investigadores da Operação Lava Jato que era pressionada por clientes fora do Brasil a receber pagamentos de maneira não contabilizada.

Mônica, presa na fase Acarajé da Operação Lava Jato na segunda-feira (22), justificou o dinheiro mantido em contas fora do país afirmando que recebeu com o marido US$ 35 milhões em campanhas do venezuelano Hugo Chávez e outros US$ 50 milhões com origem em trabalhos para o presidente angolano José Eduardo dos Santos.

A mulher de Santana também reconheceu ter recebido dinheiro fora do Brasil da empreiteira Odebrecht. Durante a campanha na Venezuela, afirmou, foi orientada a procurar o executivo Fernando Migliaccio da Silva, "que colaboraria com o custeio da campanha". Esses valores pagos no exterior, diz, somam até R$ 4 milhões.

Ela negou ter recebido dinheiro de caixa dois de campanha eleitoral no Brasil e mencionou o escândalo do mensalão como "motivos óbvios" para rejeitar essa prática.

"Se não fosse por imposição dos contratantes, preferia que fosse tudo contabilizado", disse à polícia, ao explicar o caixa dois no exterior.

Também falou que vinha esperando a entrada em vigor da lei da repatriação de valores para declarar contas no exterior não informadas anteriormente à Receita.

DILMA

Mônica também falou brevemente sobre a relação do casal com a presidente Dilma Rousseff. Disse que o PT foi seu principal cliente e que "qualquer aconselhamento" à presidente foi feito de maneira gratuita "em razão da amizade mantida" com Dilma.

A mulher de Santana também negou que ele fosse apelidado de "Feira", nome que consta em uma planilha de pagamentos da Odebrecht apreendida na Lava Jato.

Ela rejeitou ainda ter qualquer relação com o estaleiro Keppel, que era representado no Brasil pelo lobista Zwi Skornicki.

Disse que recebeu dinheiro do lobista porque ele tinha sido indicado por uma mulher responsável pelas contas de campanha do presidente angolano. Foram US$ 20 milhões pagos de maneira não contabilizada no trabalho na África, relatou.

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