Depois de anos de impasse e mais uma decisão judicial, a transferência das 450 famílias que hoje vivem na Cidade de Deus, maior favela de Campo Grande, deve iniciar nesta segunda-feira (7). As famílias serão levadas para três terrenos da cidade, que não tiveram localização divulgada por medida de segurança, segundo a prefeitura, e terão poucas horas de sol para construir novos barracos para passar a noite.
No começo deste mês, a prefeitura voltou a ingressar na Justiça com pedido de reintegração de posse da área. Na sexta-feira (4), o juiz Fernando Paes de Campos, da 2ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos da Capital, emitiu decisão favorável para o poder público.
Hoje, segundo a prefeitura, teve início o processo de transferência das famílias. Primeiro, elas serão cadastradas e a prefeitura define para qual dos três terrenos elas serão encaminhadas.
Apesar de a prefeitura afirmar que o novo endereço dos moradores tem toda infraestrutura necessária, como escolas e linha de ônibus, as famílias serão deixadas em terrenos, ou seja, a comunidade será apenas transferida de lugar, neste primeiro momento.
Revoltado com a situação, um dos líderes da Cidade de Deus, Marcos Roberto, de 40 anos e que trabalha como porteiro, conta que os moradores aceitaram a transferência porque não enxergam mais possibilidade de continuar de forma pacífica na área.
“É uma decisão da Justiça que já está assinada pelo juiz. A gente não queria sair, mas não temos mais o que fazer”, conta.
Um dos principais motivos de revolta dos moradores é o fato de serem levados para um terreno vazio. A prefeitura promete liberação de crédito para que os moradores consigam comprar materiais de construção e edificar residências de alvenaria, mas a situação deve levar tempo.
“Hoje a prefeitura vai nos dar uma lona e teremos poucas horas para construir um barraco, só assim pra gente não dormir no relento com as crianças”, conta Marcos, que mora há 3 anos na favela com três filhos.
Ainda conforme a prefeitura, parte do valor dos terrenos será subsidiada pelo poder público e outra parte pelos próprios moradores, em “pequenas prestações ao longo dos anos”, informa a prefeitura.
Equipes da Guarda Municipal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanham o início do processo de transferência, que segue pacífico.
Prefeitura montou estrutura para cadastramento de famílias (Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)