A primeira noite das poucas famílias que foram retiradas ontem da favela Cidade de Deus e levadas para terreno no bairro Vespasiano Martins, na Capital, foi repleta de revolta e motivou centenas de famílias a decidir não aceitar novas transferências, que continuam nesta terça-feira (9).
As famílias que tiveram o barraco desmontado por equipes da prefeitura e levadas para o terreno, passaram a noite praticamente no relento. Com o “kit barraco” entregue pela prefeitura, os moradores conseguiram apenas erguer cabanas de lona durante a tarde.
Os móveis dos que foram levados para o novo terreno ficaram a céu aberto e muita coisa estragou, por conta da chuva que caiu na cidade ontem à tarde.
Nesta terça, um dia depois das primeiras transferências, muitos moradores da Cidade de Deus estão revoltados com a falta de estrutura do novo endereço. Apesar do processo continuar e cinco caminhões-baús estarem na comunidade, muitos afirmam que não sairão de casa.
“Estão tratando a gente como lixo. Quando chegarem, termos que sair porque se não vão passar o trator em cima da gente”, disse a moradora Evelin Daiane Freitas, de 26 anos.
Mas muitos moradores prometem resistir. Erica Sales, de 21 anos, conta que preferia continuar na Cidade de Deus ao invés de ter de começar a vida em uma nova favela.
Rogério Carvalho do Carmo, de 29 anos e que trabalha como jardineiro conta que os moradores irão protestar quando novas transferências foram feitas. “Eles vão ter que derrubar as casas com tudo dentro, não sairemos daqui até conseguir uma casa”, contou.
Mais cedo, outra confusão foi registrada, dessa vez envolvendo os catadores de material reciclável que hoje deveriam começar a trabalhar na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), mas que foram impedidos de entrar no espaço.