O sentimento de insegurança paira sobre os moradores do Residencial Oiti, na região leste de Campo Grande, onde as ocorrências de roubos e arrombamentos de residências são frequentes.
Segundo quem vive por lá, a falta de rondas policiais e a demora para a chegada do atendimento da Polícia Militar são fatores que facilitam a ação dos criminosos.
A auxiliar de serviços administrativos Lilian Glauce Barbosa dos Santos, de 39 anos, mora no residencial desde a inauguração, há seis anos. Ela conta ter percebido um aumento recente da criminalidade “do ano passado para cá”.
Recentemente, ela e o marido foram roubados na Rua João Francisco Damasceno, quando retornavam de uma missa. Na ocasião, dois jovens se aproximaram do casal e um deles apontou uma arma.
“Assim que os rapazes deixaram a gente, assaltaram outro na esquina. Ninguém mais sai à noite, principalmente se tiver que cruzar as ruas que dão acesso ao (bairro Maria Aparecida) Pedrossian”, lamentou, referindo-se ao residencial vizinho.
Outro contato de Lilian com a criminalidade ocorreu no Natal do ano passado, quando ela e o marido estavam em frente de casa e viram quando dois jovens passaram com uma TV de plasma e outro objeto enrolado em lençol.
Eles desconfiaram que se tratava de um furto e seguiram os suspeitos de carro, ao mesmo tempo em que passavam a localização deles para a Polícia Militar pelo telefone 190.
“A gente ligando para a polícia e acompanhando os bandidos de carro, os vizinhos como loucos no grupo do Whatts App. Eles passaram andando dentro do residencial inteirinho. Nós cruzamos por dentro do bairro Panorama, o Vivendas, chegamos até a rodovia. Fiquei uma hora com a polícia no telefone, a bateria do meu celular acabou e ninguém chegou. A gente fica revoltado.”
REINCIDÊNCIA
Meire teve a casa furtada por três vezes(foto: Reprodução/WhatsAPP)
O mesmo sentimento de indignação é percebido nas falas da contadora Meire Bastos, 30, que já teve a casa furtada três vezes, a última no ano passado.
Ela afirma que os ladrões quebraram as portas, jogaram todas as roupas da família no chão e fugiram levando vários eletrodomésticos. “Minha casa é assaltada de ano em ano”, disse, revoltada.
A primeira vez que teve a casa invadida, a contadora decidiu investir na construção de um muro.
Depois foi a vez de instalar cercas elétricas e, por fim, ela precisou gastar com o conserto das portas danificadas pelos ladrões.
“Todos os vizinhos estão fazendo investimentos, aumentando o muro das casas, colocando cerca elétrica e até câmera de segurança”, pontuou Crisrober dos Santos Silva, de 38 anos, outro morador do Oiti.
TROCA DE INFORMAÇÕES
Além dos investimentos que cada morador fez na própria casa, eles decidiram criar um grupo no Whats App para trocarem informações sobre os casos.
Outra medida adotada por eles foi o pagamento de um vigilante, o que custa entre R$ 30 e R$ 40 mensais para cada família.
“Quando arrombaram aqui a primeira vez eu gastei entre R$ 3 mil e R$ 4 mil para construção do muro. Coloquei cachorro, mais R$ 1,2 mil de cerca elétrica e agora tem (grades) as portas. A gente gasta”, explicou Meire.
Em mensagens trocadas no Whats App, os vizinhos informam sobre as casas furtadas, os roubos e até as características físicas dos suspeitos. Eles também pedem socorro quando precisam. “Na última semana uma vizinha pediu socorro pelo aplicativo e evitaram um problema maior”, contou Crisrober.
“A população está começando a se revoltar. Esses dias um rapaz entrou na minha casa e conseguiu fugir, mas estava roubando outra casa e bateram muito nele”, completou Lilian, preocupada também com a possibilidade do surgimento de 'justiceiros' na localidade. “ A população também está ficando sem limites”, opinou Meire.
DENÚNCIAS DESCONHECIDAS
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar para questionar como é a ronda ostensiva no bairro.
Em nota, a corporação respondeu que raramente recebe reclamações da região e, por esse motivo, o bairro não é considerado nos estudos de serviço de inteligência da PM como um dos que mais necessitam de aumento no serviço de policiamento.
“A 6ª Companhia Independentes de Polícia Militar (6ª CIPM), responsável pelo policiamento ostensivo e atendimento de ocorrências na área mencionada, tem realizado inúmeras operações nas diversas modalidades de policiamento ostensivo em toda a região urbana do Bandeira", justificou a Polícia Militar.
Apesar da comunicação pela reportagem da situação do bairro, a PM não confirmou que vai intensificar ações na localidade. Reservou-se a informar que a corporação vai prestar "o melhor atendimento possível à comunidade, por meio de operações policiais inopinadas e do policiamento ostensivo ordinário, observando o mencionado problema em sua especificidade”.