Dos 50 lotes para onde foram levadas famílias retiradas da favela Cidade de Deus, 14 ficaram alagados depois da chuva da madrugada de hoje (10) e a Defesa Civil municipal precisou realocar as famílias para outros lotes. A maioria das famílias perdeu tudo que tinha e se revoltou diante da falta de estrutura do local.
Diferente do que foi informado inicialmente pela prefeitura, a Defesa Civil não interditou os lotes, apenas realocou as famílias.
Coordenador interino da Defesa Civil, Rodrigo Kist, afirma que as famílias terão que ser retiradas do terreno porque obras de drenagem e até rebaixamento da rua terão de ser feitas pela prefeitura.
O problema, que já tinha sido levantado por alguns moradores na segunda-feira (7), é que o terreno escolhido pela prefeitura é mais baixo do que o nível da rua, ou seja, a enxurrada causada pela chuva cria “piscinas” de água dentro da área.
As famílias terão de ser realocadas pela prefeitura, mas ainda não se sabe quando isso irá acontecer.
Carolina da Silva, de 22 anos, conta que a situação no Vespasiano Martins é bem pior do enfrentado por eles na Cidade de Deus, no bairro Dom Antônio Barbosa. A chuva que caiu por volta das 4 horas inundou os barracos e praticamente todos os móveis dela foram perdidos.
Em meio a tantas reclamações, há quem ainda comemore a mudança para um terreno que a prefeitura promete que será próprio.
“Dois caminhões de terra resolvem, se soubesse da chuva, ergueria tudo, mas perdi o colchão e o guarda-roupas. Mas para nós foi bom porque saímos do clandestino, mas ele [Bernal] não previu que ia chover, se não, não colocaria nós aqui”, afirmou
Representantes da Agência Municipal de Habitação de Campo Grande (Emha) estão no terreno e a informação é de que as ruas laterais serão drenadas para que a água escoe.
Integrantes do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) também irão ao terreno para auxiliar moradores com doação de roupas.
Inicialmente, as famílias foram informadas pela prefeitura que seriam provisoriamente transferidas para outro terreno até que os ajustes fossem feitos no Vespasiano Martins, mas temendo perder o espaço, muitos afirmam que ficarão nos lotes mesmo cheios de água.
*Atualizada às 15h11min