O prefeito Alcides Bernal (PP) deixou moradores removidos da Cidade de Deus para os lotes do Bairro Vespasiano Martins constrangidos na manhã de hoje (11), ao desafiar os insatisfeitos a erguerem a mão. O prefeito elogiou o local, que foi totalmente inundado na madrugada de ontem (10), e justificou a mudança como parte de um ''mutirão'' assistido.
Por enquanto, as famílias continuarão morando em barracos de lona e dentro de 90 dias será construída casa de alvenaria. A mão de obra será dos próprios moradores e o material de construção doado pela prefeitura que ainda subsidia 40% do valor total do terreno e imóvel.
Segundo Bernal, cada casa terá 45 m² com dois quartos, banheiro, sala, cozinha integrada com a copa e varanda. Ao ser questionado sobre as condições do terreno, o prefeito desafiou os insatisfeitos.
"Se não gostar do local tem gente que está precisando de casa e pode aceitar esse local. É só levantar a mão, nós identificamos e tomamos nota", discursou. Constrangidos, nenhum dos moradores levantou a mão, mas alguns iniciaram bate-boca sendo ignorados pelo prefeito.
Moradora Amanda Nelli, de 22 anos, questionou Bernal sobre o fato de não ter ninguém para ajudar a erguer seu barraco e foi chamada pelo prefeito de mal intencionada. Isso diante do fato de moradores ressaltarem não conseguir adaptar banheiros, pois ao cavarem os buracos há surgimento de água no solo.
Confira abaixo momento em que Bernal constrange moradores:
INUNDADO
A área no Vespasiano Martins antes era um campo de futebol da comunidade, que ficou encharcado na madrugada de quinta-feira (10). Ao menos 14 dos 53 lotes, conforme a Defesa Civil, apresentaram problemas e algumas das famílias foram realocadas de forma temporária.
Tratores corrigiam, nesta sexta-feira (11), desnível entre a rua e o terreno. Valetas eram abertas por funcionários da empresa Pactual. Por um breve período, homens do programa de inclusão profissional (Proinc) ajudaram as famílias a reconstruir os barracos com os kits favela que possuem lona e quatro pedações de caibro.
Bernal assegurou que todos os cinco terrenos destinados ao reassentamento dos moradores da favela Cidade de Deus pertencem a prefeitura. Cerca de R$ 3,6 milhões, provenientes do Fundo de Urbanização das Áreas Faveladas (Funaf), estão sendo aplicados na remoção, translado de móveis e construção de novas casas de alvenaria nos lotes.
Hoje cerca de 30 famílias mudam para o terreno frontal da favela, no próprio Dom Antônio Barbosa. Os lotes são destinados a quem trabalha no aterro sanitário e sua ocupação ocorre por ordem de chegada e confirmação de cadastro. A prefeitura ainda disponibiliza um marmitex e cesta básica por família.