O dia 27 de março deste ano está marcado como celebração da Páscoa, festividade religiosa vivenciada de maneira muito diferente entre uma casa e outra. Para uns a data se resume a oportunidade de comer chocolate sem culpa, mas para os religiosos, é mais uma oportunidade de meditar e exercitar os preceitos das crenças que professam.
Conforme o teólogo, escritor e pastor José Roberto de Oliveira Chagas “a festa judaica, que equivale à Páscoa cristã, é a "pessach", um termo hebraico significa ‘passagem'. Segundo ele, o sentido atribuído ao vocábulo é amplo e pode se referir tanto à passagem do “anjo da morte” ou travessia do Mar Vermelho. “A ideia central é a libertação do povo judeu”.
PÁSCOA JUDAICA
“Para nós judeus é Pessach, a passagem de um estado de escravos para libertos”, explica Claudionor Rolim Costa, relatando que a data é celebrada com cordeiro assado, ovo cozido, ervas amargas e vinho para beber. É quando a família se reúne para ouvir narrativas sobre o período de escravidão e libertação dos hebreus. “Essa tradição é feita para que não se esqueça da história. Para que nossos filhos não esqueçam”.
Rabino Moshe ben Yishai na Sinagoga“A Páscoa Original celebra quando o anjo de Deus trouxe a morte sobre os primogênitos do Egito e pulou sobre a casa dos Israelitas e eles acabaram sendo preservados porque na casa deles havia o sangue do cordeiro passado nas portas. Esse é o sentido original do Pessach: celebrar basicamente a nossa libertação da escravidão do Egito", completa o rabino Moshe ben Yishai da Congregação Israelita da Nova Aliança, em Curitiba (PR). Rabino Moshe ben Yishai na Sinagoga
A data da Pessach Judaica este ano é 22 de abril, quase um mês depois da Páscoa Cristã.
O rabino explica que para os praticantes da fé judaica existe uma restrição a mais na alimentação no dia da Pessach. "A principal é em relação ao uso do fermento. Qualquer alimento que contenha um dos cinco cereais principais: trigo, cevada, centeio, espelta e aveia e que entre em contato com água por mais de 18 minutos, porque aí começa a fermentar", diz.
"A gente só pode comer trigo, que entre em contato com água por, no máximo, 18 minutos. É uma coisa muito séria porque o Torah diz quem comer é eliminado do povo de Israel. Tem que ter muito cuidado. É por isso que a dona de casa limpa todos os armários procurando qualquer resquício de pão, de bolacha. O que tiver é jogado fora", detalha.
PÁSCOA CATÓLICA
Padre Dirson (foto: Reprodução/Facebook)O padre Dirson Gonçalves, do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, conta que a Páscoa dá sentido à igreja católica porque lembra a passagem da morte para a vida, centrada em Jesus Cristo. “Se ele tivesse morrido como todo mundo morre, a igreja não teria sentido. Páscoa é vida nova! ”.
Segundo o pároco, para a igreja toda missa é momento de celebrar a ressurreição de Cristo, mas o domingo de Páscoa é mais especial porque é quando os fiéis voltam a bater palmas e cantar o “Glória” que não foi entoado durante todo a quaresma, - período de 40 dias entre a quarta-feira de cinzas e o domingo de Páscoa em que os católicos não consomem carne e fazem outros sacrifícios- quando vivem momento de silêncio, reflexão e penitência.
“É a alegria da ressurreição, a celebração da Páscoa! A partir de agora a gente celebra e segue celebrando o Cristo ressuscitado o resto do ano”.
Em casa, os fiéis costumam consumir peixe na sexta-feira anterior à Páscoa e no domingo é o ovo que faz parte do cardápio. “O ovo lembra abundância de vida”, finaliza o padre.
PARA OS EVANGÉLICOS
José Roberto Chagas detalha que existem vários segmentos da igreja evangélica: as reformadas, pentecostais, neopentecostais e igrejas livres em que a interpretação da Páscoa ocorre de maneira distinta.
“Mas os evangélicos, via de regra, não comemoram a Páscoa. Não tem um prato peculiar, não tem restrição alimentar nem símbolo específico para este período”.
Segundo ele, “algumas igrejas aproveitam o feriado para retiros espirituais e de comunhão. Outros, seguindo um calendário cristão, inserem em seus cultos pregações sobre a ressurreição de Jesus e seu impacto na humanidade, na história e no mundo”, finalizou.
SEM PÁSCOA
Vice-presidente da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul, Gerson Queiroz da Silva, explica que, para eles, a Páscoa não tem significado de libertação, passagem ou ressurreição como ocorre com outras religiões.
“Não celebramos nada. Não temos um culto diferente porque entendemos que tudo foi criação do homem. Não dá pra materializar aquilo que é espiritual, mas respeitamos todos os cultos e simbolismos”, disse.
Queiroz pontua que, sob o viés espírita, não há como falar em ressurreição porque Jesus Cristo não morreu. “O que ocorreu foi a morte do corpo, mas o espírito é imortal e, se quiser, reaparece”, explicou ele. “É por isso que não comemoramos isso uma vez ao ano. A busca da renovação é uma constante para nós”, finalizou.