Para amenizar a situação dos catadores, a CG Solurb, concessionária que administra a coleta e tratamento do lixo de Campo Grande, ofereceu emprego formal a 200 trabalhadores de recicláveis para trabalharem na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR). A proposta foi recusada por todos os catadores. A reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira (28), no Ministério Público do Trabalho (MPT) entre catadores, prefeitura e Solurb.
O procurador do Trabalho, Paulo Douglas, lamentou a intransigência dos catadores. "Presenciamos uma incompreensão dos trabalhadores. Perderam boa oportunidade de condição social e jurídica em trabalhar num patamar melhor que eles tem hoje. Isso é lamentável", pontuou ao fim do encontro, que terminou sem uma solução.
Sem resultado, representante dos catadores na reunião, Rodrigo Leão Marques, 36 anos, conhecido como Carioca, informou que irá acionar a Justiça, nesta terça-feira (29), para pedir a prorrogação do fechamento do lixão. O defensor público que defende os trabalhadores, Amarildo, disse que os catadores entendem que em algum momento o lixão será fechado.
IMPASSE
O problema é que são cerca de 400 catadores que ficaram sem renda depois que o acesso ao lixão foi fechado. Carioca diz que eles só querem ter acesso ao material reciclável que está sendo enterrado no lixão. “A gente não quer ser empregado de ninguém. Basta a empresa cumprir a lei e não enterrar material que ela está entregando que vamos ter nossa renda e não seremos empregados dela”. “Se não sair daqui com proposta que atende catadores, vamos entrar com ação pedindo que medidas sejam tomadas”, declarou.
Diante do impasse, o procurador do trabalho, Paulo Douglas, propôs um termo de estabilidade provisória, ou seja, esses trabalhadores não poderiam ser mandados embora a qualquer hora.
Conforme Carioca, uma das alternativas seria abrir a área de transição até que a coleta seletiva seja ampliada. “A coleta seletiva, hoje, é pouca. São só 4 caminhões por dia”. Ainda conforme o catador, é necessário educar a população. Ele alega que os trabalhadores encontram de fralda até bicho morto em sacos da coleta seletiva, por exemplo.
Atualmente, são entre 800 e 900 toneladas de materiais são descartadas no lixão, sendo 300 toneladas de material reciclável.
Por meio do procurador-geral do Município, Denir Nantes, a prefeitura propôs oferecer qualificação profissional aos catadores e inclusão ao mercado de trabalho pelo Programa de Inclusão Profissional (ProInc). A proposta também foi recusada pelos trabalhadores.
*Atualizada às 16h34min para acréscimo de informações