Uma manifestação contra o Projeto de Lei que proíbe professores do ensino básico de falar sobre gênero e política em sala de aula será realizada na tarde deste domingo (3), em Campo Grande. Mais de 600 pessoas confirmaram presença no ato, que está marcado para às 16h na Praça do Rádio Clube.
O projeto, de autoria do vereador Paulo Siufi (PMDB), foi aprovado na quinta-feira (31) na Câmara Municipal. Conforme a proposta, fica proibido aos professores da primeira a quarta série manifestarem aos alunos orientações sexuais ou apontarem como ideal qualquer corrente política, ideológica ou partidária. O texto depende agora de sanção ou veto do prefeito Alcides Bernal (PP).
Em evento criado no Facebook, a organização convida o estudantes, professores e a população em geral para as ruas, alegando que o projeto de lei é "absurdo, fascista e inconstitucional". Até agora, 640 pessoas confirmaram presença no protesto contra a chamada "lei da mordaça".
Outro ato criado pelo grupo Impróprias - Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças da UFMS, chama a população para protestar nas redes sociais com o uso da hashtag "Ensinar é um ato político" nas fotos e publicações.
Segundo o grupo, a expectativa é que com a manifestação da população o prefeito vete a lei e a Câmara mantenha o veto, já que Siufi havia dito anteriormente que mesmo se houvesse rejeição, o veto seria derrubado pela Câmara.
“Uma sociedade democrática, participativa, crítica e bem informada em relação as desigualdades econômicas, sociais, de gênero e que conheça sua história de mobilizações em prol da justiça social está intrinsecamente ligada a uma sala de aula que promova reflexões com liberdade”, diz publicação da organização.
PROJETO
O projeto do vereador Paulo Siufi faz parte de uma parceria com o Movimento Nacional Escola Sem Partido e teve apenas dois votos contrários.
Siufi defendeu a proposta alegando que os professores não devem ser intitulados ativistas políticos e sexuais. “Com esse projeto, queremos que os professores tenham isenção quanto à opção sexual, política partidária e religião de cada um”, disse.
Em enquete realizada pelo Portal Correio do Estado no dia 1º de abril, 79,5% das pessoas se manifestaram a favor da lei, enquanto 20,5% se disseram contra.