Cidades

Fracos não têm vez

Queda de oxigênio desafia vida aquática no ecossistema pantaneiro

No período da decoada, os peixes mais fragilizados morrem

Redação

18/04/2016 - 05h00

Junto ao período de cheias no Pantanal sul-mato-grossense ocorre também fenômeno que pode ser considerado perverso ao meio ambiente, apesar da discordância de alguns especialistas. A decoada, como é chamado o processo de redução do oxigênio das águas do Rio Paraguai conforme ele avança sobre a vegetação seca a ser alagada, mata milhares de peixes e outros animais todos os anos, mas está longe de ser considerada maléfica.

Tais mortes já começaram e é justamente em abril que a maior parte delas ocorre. Sejam peixes com e sem escamas, quanto arraias e até mexilhões dourados, a decoada não poupa nenhum. Com o oxigênio da água em quase zero, esses animais sucumbem e se tornam alvos fáceis para outros membros da fauna, como as aves pantaneiras, jacarés e também o ser humano.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal, Márcia Divina de Oliveira afirma que os primeiros registros escritos do fenômeno datam da década de 80 e chegou-se a supor que as queimadas e outros danos ambientais provocados pelo homem fossem a origem da decoada.
Atualmente esta ideia já foi descartada e vê-se inclusive que a decoada é necessária, justamente por permitir a renovação das espécies e que sobrevivam apenas aqueles animais que, de fato, são mais fortes.

O diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, da prefeitura de Corumbá, Antônio Rondon da Silva sustenta que “não podemos colocar isso (a decoada) como calamidade ou caso trágico. É algo natural, que serve para apurar a qualidade das espécies. Os peixes mais fragilizados morrem, os mais fortes sobrevivem”.

Para a pesquisadora da Embrapa, por ser um processo natural, a decoada também não pode ser vista como uma tragédia e até comenta que haveria mecanismos para reduzir as perdas e as mortes, como drenar parte da planície pantaneira. “Se modificarmos o ambiente podemos reduzir as mortes, mas se trem decoada é porque a própria natureza está trabalhando”, defende.

*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

 

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