Os presos na 2ª fase da Operação Lama Asfáltica estão sendo transferidos para celas de duas delegacias de Campo Grande, conforme terminam de prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal (PF). A Assessoria da PF informou que os homens serão encaminhados para a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e as mulheres para a 3ª Delegacia de Polícia Civil.
Os 15 detidos deverão ficar presos por cinco dias em razão de mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. Advogados tiveram acesso ao inquérito durante a tarde e informaram que irão analisar os documentos e estudar se pedirão a revogação da prisão.
Conforme o advogado que representa o ex-secretário de obras e ex-deputado Edson Giroto e sua esposa, Rachel Rosa Giroto, Valeriano Fontoura, a mulher, que é advogada, deverá ser encaminhada para uma sala especial, conforme determina a legislação. Ambos já prestaram depoimento.
Newley Amarilla, advogado de Hélio Yudi Kamiyama, ex-gerente de obras viárias da Agesul, informou que o cliente também já prestou depoimento e já foi transferido para a Denar.
O Portal Correio do Estado entrou em contato com os advogados que representam os outros detidos, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.
A segunda fase da Operação Lama Asfáltica teve como foco o crime de lavagem de dinheiro, tendo em vista que investigados teriam ocultado patrimônio decorrente de fraude de licitações. Mecanismo utilizando era o de constituir empresa no nome de familiares e pessoas de confiança para torná-la lícita, adquirindo assim fazendas e imóveis urbanos.
Foram presos hoje:
André Luiz Cance - secretário-adjunto de Fazenda
Ana Cristina Pereira da Silva – ex-esposa de André Luiz Cance
Edson Giroto – ex-deputado federal e ex-secretário de obras
Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto – esposa de Giroto
João Amorim – empreiteiro dono da Proteco
Ana Paula Amorim Dolzan – filha de Amorim
Ana Lúcia Amorim – filha de Amorim
Renata Amorim Agnoletto – filha de Amorim
Elza Cristina Araújo dos Santos – secretária e sócia de Amorim
Flávio Henrique Garcia – empresário
Wilson Roberto Mariano de Oliveira (Beto Mariano)– ex-diretor e fiscal da Agesul, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Paranaíba
Mariane Mariano de Oliveira- filha de Beto Mariano, ela tem fazenda em Rio Negro investigada na operação
Maria Wilma Casanova – ex-diretora presidente da Agesul
Hélio Yudi Komiyama – ex-gerente de obras viárias da Agesul
Evaldo Furrer Matos – proprietário de fazenda
FAZENDAS DE LAMA
O nome faz referência a compra de imóveis rurais com o recurso desviado, esta fase tem por foco a ocorrência de crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
Os envolvidos criavam empresas de pequeno porte em que doavam cerca de 80% do suposto faturamento de R$ 1,7 milhão a título de lucro. Esse recurso era usado para compra dos imóveis rurais e urbanos.
Hoje foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária, 28 de busca e apreensão e 24 sequestros de bens de investigados. O valor global sob suspeita chega a R$ 2 bilhões, sendo que desse montante, R$ 44 milhões já foram identificados como desviados.
Durante a segunda fase da Operação Lama Asfáltica foram apreendidos US$ 10 mil, quantia em real ainda não determinada, computadores e mídias.