Cidades

LAMA ASFÁLTICA

PF tentou sequestrar bens de investigados no começo do ano

Juiz da 5ª Vara Federal indeferiu pedido na época

Redação

11/05/2016 - 12h26

A Polícia Federal tentou, no começo do ano, o sequestro de bens do ex-prefeito de Paranaíba, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, e da filha dele, Mariane Mariano de Oliveira. O pedido tramitou na 5ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, mas foi negado pelo juiz titular Dalton Igor Kita Conrado.

A defesa dos dois confirmou essa medida. Naquele processo, integrante da 1ª fase da Operação Lama Asfáltica, ambos não apareciam como acusados. O valor proposto na investigação para ser sequestrado não foi divulgado. Além disso, o processo corre em segredo de justiça.

Depois desse indeferimento, um novo procedimento foi instaurado, que culminou na deflagração da 2ª fase da Operação Lama Asfáltica, realizada ontem (10). Nesta outra etapa, denominada Fazendas de Lama, novo pedido foi solicitado tanto para sequestro de bens como para prisão temporária.

O requerimento da 2ª fase foi distribuído para a 3ª Vara Federal, onde o titular é o juiz Odilon de Oliveira, mas quem apreciou os pedidos foi a juíza substituta Monique Marchioli Leite, que os deferiu.

"Quem leva dinheiro não compra fazenda. Vai esconder esse dinheiro. Não tem lavagem, tem aquisição de um bem. Não tem fato novo. O juiz da 5ª Vara Federal já havia indeferido o pedido de sequestro de bens", analisou o advogado de Wilson Roberto e Mariane Mariano, Hilário Carlos Oliveira.

PEDIDO ACEITO

Mariane Mariano recebeu o direito de cumprir a prisão temporária decretada contra ela em regime domiciliar. A filha dela nasceu há menos de um mês e o puerpério dela foi apresentado como alegação à Justiça Federal para realizar a troca da prisão de regime fechado.

A proprietária de fazenda em Rio Negro e filha de Beto Mariano, ex-prefeito de Paranaíba e ex-diretor e fiscal da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), foi presa ontem (10) durante a deflagração da 2ª fase da Operação Lama Asfáltica. Ela saiu da 3ª Delegacia de Polícia Civil para a prisão domiciliar no começo da noite de ontem.

OUTRA PRISÃO DOMICILIAR

​Quem também conseguiu deferimento para cumprir prisão temporária em casa foi Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto, mulher do ex-deputado federal Edson Giroto. Ela é advogada e obteve a autorização ontem, mas só foi liberada do presídio militar à 0h15 de hoje (11).

OPERAÇÃO

A segunda fase da Operação Lama Asfáltica já comprovou desvio de R$ 43 milhões, referentes ao direcionamento de licitações, superfaturamento e manipulação de obras públicas com recurso federal. Ao todo são investigados contratos de R$ 2 bilhões firmados pelo governo estadual entre 2007 e 2014.

Denominada Fazendas de Lama, em referência a compra de imóveis rurais com o recurso desviado, esta fase tem por foco a ocorrência de crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

O delegado da Receita Federal, Flávio de Barros Cunha, pontuou que o patrimônio dos 24 investigados incluía 67 mil hectares, principalmente em Mato Grosso do Sul e no interior paulista. Ele estaria diluído no nome de familiares e pessoas de confiança.

Ao todo, foram bloqueados R$ 43,169 milhões em bens, que incluem contas bancárias, imóveis rurais e urbanos e dois aviões.

Ontem (10) foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária, 28 de busca e apreensão e 24 sequestros de bens de investigados. 

LISTA DE PRESOS

André Luiz Cance - secretário-adjunto de Fazenda

Ana Cristina Pereira da Silva – ex-esposa de André Luiz Cance

Edson Giroto – ex-deputado federal e ex-secretário de obras

Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto – esposa de Giroto

João Amorim – empreiteiro dono da Proteco

Ana Paula Amorim Dolzan – filha de Amorim

Ana Lúcia Amorim – filha de Amorim

Renata Amorim Agnoletto – filha de Amorim

Elza Cristina Araújo dos Santos – secretária e sócia de Amorim

Flávio Henrique Garcia – empresário

Wilson Roberto Mariano de Oliveira (Beto Mariano)– ex-diretor e fiscal da Agesul, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Paranaíba

Mariane Mariano de Oliveira- filha de Beto Mariano, ela tem fazenda em Rio Negro investigada na operação

Maria Wilma Casanova – ex-diretora presidente da Agesul

Hélio Yudi Komiyama – ex-gerente de obras viárias da Agesul

Evaldo Furrer Matos – proprietário de fazenda

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