Moradores em Campo Grande, suspeitos de agirem em esquema de pagamento de propina que aliviava multas milionárias de empresários e era formado por auditores fiscais da Receita Estadual do Paraná, são alvos de operação denominada “Republicano V”, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Londrina, na manhã de hoje (12).
Conforme informações do Ministério Público do Paraná, a quadrilha agia há décadas e era composta de centenas de pessoas, entre auditores, empresários, contadores, policiais civis e ''laranjas'' (pessoas que emprestam nomes para fraudes).
Já na quinta fase, a operação, cujo nome que faz referência a cobranças de impostos, tem desdobramento em Campo Grande, além de cidades de São Paulo e Paraná. Devem ser cumpridos quatro mandados de prisão, 14 medidas cautelares para colocação de tornozeleiras eletrônicas, 36 mandados de busca e apreensão e 20 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar depoimento).
O Gaeco do Paraná não divulgou, especificamente, quais mandados e quantos são cumpridos na Capital sul-mato-grossense. Mais informações serão apresentadas em entrevista coletiva marcada para o período da tarde.
ESQUEMA
Conforme informações do MP, auditores fiscais da Receita Estadual do Paraná cobravam propinas para aliviar valores de multas milionárias, aplicadas a empresários. Os funcionários manipulavam o sistema e emitiam boletos de valores extremamente inferiores ao real e cobravam por isso. Empresários saldavam ''legalmente'' a dívida, já que o pagamento era expedido via boleto, no entanto, com valor fictício, enquanto que os servidores da Receita recebiam propinas.
A quantia desviada pela organização criminosa, acusada de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva tributária, extorsão, falsidade ideológica e lavagem de ativos, não foi divulgada.