Será inaugurada amanhã (17), às 8h30min, a 5ª escola estadual de Campo Grande reformada por presos. A obra faz parte do projeto Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade, que destina tanto a mão de obra como o dinheiro do próprio reeducando para a construção e compra de material.
A ação é realizada diante do desconto de 10% do salário dos presos que estão trabalhando via convênios com o poder público. Este recurso serve tanto para a manutenção dos presídios como também para ações de ressocialização.
Localizada no bairro Coophavila II, a Escola Estadual Padre José Scampini é o segundo maior colégio estadual de Campo Grande em número de alunos. Orçada em R$ 149 mil, a reforma contemplou 30 salas, contando com o anfiteatro, além da quadra coberta, pátio, calçamento, muros, pintura geral, troca de vidros, reforma elétrica e hidráulica, e, ainda, projeto de acessibilidade com a construção de banheiros adaptados, guichê da secretaria e da cantina com acessibilidade para cadeirantes, instalação de rampas e piso tátil.
Desde sua criação em 1979, a escola nunca passou por uma reforma geral. Os trabalhos estenderam-se ainda ao redor da instituição, com o corte de grama e limpeza geral. O serviço foi feito também tanto na parte externa quanto interna de uma creche e de um posto de saúde próximos à unidade de ensino.
Ao todo, 14 presos trabalharam na reforma e outros três detentos fizeram o serviço de limpeza. Todos eles oriundos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. A revitalização do colégio, que conta com 1.600 alunos matriculados foi o maior desafio enfrentado pelos presos até então, em razão da amplitude do espaço.
As obras foram concluídas no início de março, 10 dias após o retorno das aulas, em virtude das fortes chuvas do verão que atrasaram a conclusão, afirma o diretor. Hoje, os alunos que apelidaram o local de “scampodre” têm uma nova missão: além de preservar a manutenção da reforma, eles precisam escolher um novo apelido, mais condizente com a atual situação da escola que em nada se assemelha àquele Scampini que os estudantes estavam acostumados a frequentar.