Fernando Brites, de 57 anos, que entubado e com o estado de saúde grave esperou em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) quase duas semanas para ser transferido para hospital especializado, morreu na noite de ontem (22). A suspeita era que ele estivesse com a gripe H1N1, mas a doença foi descartada pela Secretaria de Saúde do Município (Sesau). Segundo a família, o homem que trabalhava como serralheiro foi diagnosticado com fibrose pulmonar, no dia em que, a mando da Justiça, foi transferido da UPA do Coronel Antonino para o Hospital Regional e a reclamação é que a demora para o devido atendimento possa ter colaborado para a morte do trabalhador.
Sentindo-se mal e cerca de 20 dias entre idas e vindas na UPA, no dia 3 deste mês, Fernando piorou e foi internado. No entanto, por falta de vaga em hospital especializado recebeu auxílio médico improvisado até o dia 13, quando foi transferido ao Hospital Regional, por ordem da Justiça. “O problema dele era fibrose pulmonar e só foi diagnosticado quando deu entrada no hospital. Se tivesse recebido antes a atenção adequada, hoje a gente não estaria enterrando ele”, reclamou um sobrinho.
A suspeita inicial dada por médicos era de que Fernando poderia estar com a gripe H1N1, mas a hipótese foi descartada pela Sesau, tendo em vista que o paciente não apresentava melhora mesmo recebendo doses do medicamento específico Tamiflu. A reportagem tentou falar com o secretário de estado de saúde Nelson Tavares para falar sobre a lotação nas unidades de saúde, contudo as ligações não foram atendidas.
CASOS H1N1
Apesar de o caso ter sido descartado, o número de mortes em decorrência da H1N1 tem causado pânico entre a população de Mato Grosso do Sul. Foram 19 neste ano e uma por influenza B. Sete ocorreram na Capital, quatro em Naviraí, duas em Três Lagoas e uma em Aquidauana, Caarapó, Corumbá, Coxim, Juti, Maracaju e São Gabriel do Oeste, de acordo com último Boletim Epidemiológico do Estado.