Os postos de saúde em Naviraí passaram a aplicar 500 doses de vacinas extras obtidas a partir dos governos do Estado e federal. A cidade passa por complicada situação de contágio da Influenza. Desde o começo do mês, quatro pessoas morreram e foram mais de 30 casos identificados com o vírus.
A imunização distribuída não conseguiu abranger toda a população considerada de risco e, por isso, aumentou no município o temor de contágio. As férias escolares nas redes municipal e estadual foram antecipadas para evitar aglomeração de estudantes. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) também suspendeu as aulas.
O prefeito Léo Matos (PSD) estava em Campo Grande hoje (23) e comentou que há dificuldade para o poder público administrar a crise local.
"Naviraí está passando por um momento difícil e desesperador. A população está atrás de vacina enlouquecidamente. Como houve óbitos, as pessoas se desesperaram", reconheceu Matos.
Em nota oficial, a prefeitura havia prometido que tentaria vacinar todos os moradores, mais de 51 mil pessoas. Contudo, esse compromisso dificilmente será cumprido. "Infelizmente as vacinas acabaram. Conseguimos agora mais 500 vacinas, que serão aplicadas hoje (23), principalmente em crianças e idosos", reconheceu Leo Matos.
Segundo o chefe do Executivo, o município enfrentou diversos problemas neste ano e a administração está tentando contornar as crises da melhor forma. "Só faltou aparecer ET lá em Naviraí", disse o prefeito.
DOSES INSUFICIENTES
Na semana passada, equipe técnica da Secretaria de Estado de Saúde visitou a cidade para repassar orientações em como proceder no caso de surto de Influenza. Apesar do treinamento de agentes, Leo Matos reconheceu que o anseio da população é unicamente pela vacina.
Como houve uma procura maior do que a esperada, o número de doses distribuídas não foi suficiente para imunizar todo o grupo de risco de Naviraí.
"(O problema) é que apareceram muitos doentes crônicos com laudos que no ano passado não vacinaram e eles utilizaram as vacinas (neste ano). Hoje não tem o que fazer, estamos atrás (de doses)", explicou o prefeito.
A Gerência de Saúde informou que foram enviadas 10 mil doses para vacinar o público-alvo.
VENDA ILEGAL
A procura por proteção fez com que comerciantes passassem a contrabandear doses do Paraguai e revender na cidade. Esse tipo de comércio é ilegal e a Polícia Federal fez operação para prender os suspeitos.
A reportagem apurou que cada vacina poderia sair ao preço de até R$ 200. Em geral, o custo dele na rede privada é de R$ 120.
A falta de doses foi acarretada porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterou algumas substâncias que podem constar na vacina e os laboratórios que fornecem para o Brasil não foram informados em tempo hábil para produzir a nova versão. O tempo para produzir as doses dura em torno de dois meses.