A Igreja Católica e a Embaixada do Haiti firmaram acordo para auxiliar a situação de haitianos que estão em situação irregular em Três Lagoas (MS). A parceria é resultado de uma reunião realizada no fim do mês de abril, quando o representante da embaixada haitiana, Jacckson Bien, esteve na cidade e procurou a Cúria Diocesana na tentativa de tornar mais ágil a regularização desses imigrantes
De acordo com o bispo do município, dom Luiz Knupp, essa pressa tem motivo. O Brasil, explicou, acolheu os haitianos na condição de refugiados em uma tentativa de facilitar os trâmites legais. Porém, estabeleceu, em novembro de 2015, o prazo de um ano para que pudessem pedir a certidão de residência fixa no Brasil. “O prazo está correndo e, no país, são mais de 43 mil haitianos em uma lista para ser regularizados”, completou.
O número de imigrantes do Haiti vivendo hoje em Três Lagoas ainda é desconhecido. Estima-se, porém, a média de 1,2 mil haitianos. Desses, não há como saber, por enquanto, quantos em situação regular ou não. “Trata-se de um número bastante expressivo de haitianos no município e, diante dessa necessidade, aceitamos prestar esse serviço. Não temos muitas condições, as nossas estruturas são precárias, mas juntamos um grupo de voluntários dispostos a prestar esse serviço”, destacou.
Esse grupo é composto hoje por 16 voluntários, número que pode aumentar. Entre eles, que incluem Missionárias de Nossa Senhora das Graças, estão representantes da Associação de Haitianos – em fase de criação – e do Conselho Municipal do Negro. Elas serão coordenadas pela irmã Maria Aparecida Teixeira, responsável pela Pastoral do Imigrante, criada em decorrência do aumento no número de imigrantes no município, e que pode se tornar definitiva a médio prazo.
ACORDO
No acordo firmado, explicou Dom Knupp, a diocese ficou responsável por juntar toda a documentação necessária para a regularização desses haitianos. Em contrapartida, a embaixada do Haiti se comprometeu a agilizar o andamento dos processos. “Esse trabalho já vinha sendo desenvolvido pela diocese há três anos, quando os primeiros imigrantes chegaram ao município. Agora, estamos estruturando para atender a todos de forma mais ágil. Ainda não sabemos qual será a demanda atendida”, completou.
Os haitianos serão atendidos em uma estrutura na sede da Pastoral da Criança – ao lado do Colégio Dom Bosco – três vezes por semana, incluindo os sábados. Para atender a um maior número de imigrantes possível, um mutirão será realizado no dia 4 de junho. “Além desse trabalho burocrático, vamos dar início a outros projetos, como aulas de língua portuguesa. Já estamos com um grupo de seis professores voluntários para ajuda-los com aulas de língua portuguesa, principalmente as mulheres, que, são as que mais sofrem com essa barreira”, completou. Hoje, a língua oficial do Haiti é o francês e a mais falada é o crioulo.
TAXAS
Além de doações para estruturar a Pastoral do Imigrante, como computadores, papel, scanners, dom Knupp também chamou a atenção para o fato de que muitos imigrantes precisarão de ajuda financeira para arcar com os custos de se conseguir o certificado de residência no Brasil. A renovação do passaporte, por exemplo, custa em dólares (UR$ 120, o valor em real varia de acordo com o câmbio) e precisa ser encaminhado aos Estados Unidos, cuja taxa é de R$ 80 dos Correios, sem contar taxas de outros documentos. “Então, fica esse apelo a todos”.