Carlos Roberto Pereira, de 55 anos, registrou boletim de ocorrência, na manhã de ontem (3), denunciando à polícia suposto desvio de doses da vacina contra a gripe H1N1, que teriam sido usadas para imunizar o primeiro escalão da prefeitura de Campo Grande. Carlos, que atualmente é líder comunitário, mas já atuou como comissionado do prefeito Alcides Bernal (PP), procurou a polícia depois de tentativa frustrada em vacinar parente contra a gripe
Ao procurar o posto de saúde Rui Barbosa, no dia 18 de maio, Carlos foi informado de que não havia vacina. À polícia Carlos alega, ainda, que diversas pessoas ligadas a administração pública municipal foram vacinadas dentro do gabinete do prefeito.
Ainda conforme o ex-comissionado, a própria assessoria de comunicação da prefeitura confirmou que o chefe do Executivo Municipal foi imunizado dentro do gabinete por fazer parte de um dos grupos de risco. No registro, Carlos se compromete a a presentar os nomes das pessoas que supostamente receberam a vacina.
APURAÇÃO
Em coletiva realizada no mês passado, a prefeitura confirmou o sumiço de 3.166 doses da vacina contra a gripe H1N1, porém, negou que tenham sido destinadas a imunizar pessoas fora do grupo prioritário e justificou ainda que frascos encaminhados ao município vieram com quantidade inferior, ou seja, vieram com oito ou nove doses, e não com 10, como alega o fabricante.
Porém, em matéria publicada no dia 1º de junho o Jornal Correio do Estado apurou que o Instituto Butantan alega que em cada recipiente de 5 ml comporta 10 vacinações e conforme o instituto, que fabrica o produto, "envasa-se sempre uma quantidade superior à correspondente a dez doses".
Segundo o instituto, a quantidade do produto envasado costuma ser maior para evitar perda de medicamento durante a manipulação e garantir que dez doses possam ser aplicadas. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) abriu sindicância para apurar onde foram parar as pouco mais de três mil doses faltantes.
O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito, na semana passada, para apurar a falta de vacinas contra a gripe na Capital. Foram encaminhados ofícios aos secretários estadual e municipal de Saúde, Nelson Tavares e Ivandro Fonseca. Ambos terão que explicar a quantidade de doses disponibilizadas, a demanda de cobertura e se haverão novas remessas.