A faxineira Simone Maria da Silva, de 29 anos, segue internada em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da Santa Casa de Campo Grande e, segundo familiares, corre o risco de ficar paraplégica. No domingo (5), um dia depois de ter sido atropelada por um carro no cruzamento da Avenida Fábio Zahran com a Bandeiras, a mulher, que estava de moto, passou por cirurgia e teve que amputar metade de uma das pernas.
Simone estava indo para o trabalho na madrugada do dia em que sofreu o acidente. Alcoolizado, Alisson Morais Cordeiro, de 32 anos, furou o sinal vermelho, bateu na moto dela e deu novo rumo para a vida da mãe de três filhos: um menino de 11 anos e duas meninas, de 5 e 2 anos.
Com o marido preso, Simone contava com a ajuda da sogra Maria Ramona Ortiz Franco, de 48 anos, para ficar com as crianças enquanto ela trabalhava. Dayana Franco, de 28 anos, cunhada e amiga de infância de Simone conta que no dia do acidente a faxineira tinha ido logo cedo buscar a sogra para cuidar dos netos enquanto ela fazia uma faxina extra para complementar na renda de R$ 880 que ela ganhava limpando uma agência bancária de segunda à sexta-feira.
“Ela [Simone] veio buscar minha mãe para olhar as crianças na casa dela e foi pro serviço. Pouco depois meu celular tocou, e na mesma hora veio na minha cabeça que alguma coisa tinha acontecido com Simone. Quando me falaram que ela tinha sofrido um acidente, imaginei que fosse um arranhão ou coisa parecida, e não uma tragédia”, contou Dayana.
Com Simone entubada, em coma induzido e sedada, a sogra passou de ajudante a cuidadora oficial dos netos, já que as crianças tiveram que se mudar para a casa dela, no Bairro Parati, para serem cuidadas pela avó paterna, já que o marido está preso, a mãe morreu quando ela ainda tinha nove anos de idade.
Bastante abalado com o que aconteceu, o sogro de Simone, Aparecido Matias da Silva, de 54 anos, voltou a trabalhar hoje na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) onde desempenha a função de eletricista. “Ele está em choque, minhas filhas que estão me ajudando a cuidar das crianças”, desabafou Maria.
Diariamente a família se reveza para visitar Simone no CTI da unidade hospitalar, e como as crianças não podem entrar, Dayana fica com os três em casa enquanto a mãe segue em busca de uma resposta positiva no sentido de melhora no quadro clínico da nora. “Os médicos falaram que ainda é cedo para qualquer diagnóstico, mas ela pode ficar sem andar. Mas eu tenho fé que minha cunhada vai sair dessa”, desabafou a cunhada que preferiu não ver a amiga numa cama de hospital.
Maria conta que conversou com Simone no domingo, enquanto ela ainda estava consciente. “Eu falei para ela que as crianças dela estavam bem e que era para ela ser forte que ela ía sair dessa. Foi quando ela olhou pra cima. Na hora de ir embora falei para ela ficar com Deus. Ela então abriu um sorriso, e essa foi a última vez que falei com ela”.
INDIGNAÇÃO
Na manhã de hoje, após audiência de custódia, Alisson pagou fiança no valor de R$ 3.520, foi solto e responde o processo em liberdade com medidas cautelares. De acordo com a assessoria de comunicação do Fórum, o homem não pode não pode sair da comarca sem autorização, frequentar bares e a cada 30 dias tem que comparecer ao Fórum.
Em liberdade provisória, se ele descumprir qualquer regra ou surgirem novos elementos a medida pode ser revogada. Indignados e com sentimento de impotência, familiares relatam que até o momento o motorista embriagado, que quase tirou a vida da trabalhadora, não procurou a família para saber se ao menos estão precisando de algo. “Quer dizer que a vida da minha nora vale R$ 3.520?”, questionou a sogra de Simone que hoje arca com as despesas para dar continuidade na criação de três crianças.