O advogado Murilo Godoy quer acesso ao mandado expedido pela Justiça de Bela Vista e que resultou na prisão preventiva de Guilherme Gonçalves Barcelos, 31, suspeito de envolvimento no duplo homicídio do policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva, 36, e do pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira, 55, o Betão. Godoy já pediu cópias dos inquéritos e laudos tanto do crime quanto da morte de Guilherme, mas encontra obstáculos porque o caso segue sobre segredo de Justiça.
O homem foi encontrado morto em uma cela da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos Assaltos e Sequestros (Garras) no último dia 25, em Campo Grande. A defesa foi acionada pela família há três dias porque o pai, José Carlos Barcelos, 54, desconfia da versão apresentada pela Polícia Civil de que o filho teria cometido suicídio.
O advogado afirmou ontem ao Correio do Estado que espera receber os documentos ainda nesta semana e, que a partir de então, vai buscar analisar com precisão o mandado de prisão, até porque, conforme já relatado por José Carlos, Guilherme não tinha nenhum tipo de envolvimento com pistolagem e jamais havia sido preso.
“Como o caso segue em segredo, vamos analisar o procedimento da prisão para saber quais as razões dela e se, de fato, Guilherme estava envolvido e qual tipo de participação”.
Hoje, uma equipe da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) vai à Caracol colher depoimento com os familiares da vítima ao longo da manhã, em busca de esclarecimentos sobre o suicídio. O interrogatório deveria ocorrido na segunda-feira, mas foi reagendado pelo delegado titular Rodrigo Yassaka, em razão de outras demandas que ele precisava atender na Capital.
A unidade foi designada para apurar o caso porque a diretoria da Polícia Civil considerou que seria incoerente que a Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios (DEH), responsável pelo inquérito do duplo homicídio, investigasse também as causas da morte do rapaz.
“O pai tem dúvidas sobre o suicídio e quer esclarecimentos. Para uma família que via o rapaz trabalhando, sem nada de errado e bem de saúde, de repente aparecer morto em uma delegacia, realmente é uma situação difícil de aceitar”, explicou Godoy.
O advogado afirma que, neste primeiro momento, não busca discutir culpa, mas considera que, uma vez efetuada a prisão, o estado seria o responsável pela custódia do suspeito, sem poder ignorar qualquer tipo de transtorno psicológico que ele pudesse apresentar. Ele disse isso se referindo à alegação da polícia de que, ao ser detido, Guilherme se mostrou alterado e disse que não falaria nada porque corria risco de ser assassinado.
O CASO
Pistoleiro conhecido por autoria em crimes de grande repercussão dentro e fora de Mato Grosso do Sul, e que datam desde a década passada, Betão foi encontrado carbonizado em abril, na carreceria da camionete, nas proximidades do lixão de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai. Ao lado estava o do colega policial civil Anderson. A suspeita é de que a dupla tenha sido atraída para uma emboscada, sob pretexto de uma pescaria na região.
Anderson, apesar de amigo, atuava supostamente como guarda-costas de Betão, e por isso também foi executado. A polícia não divulga detalhes, mas as principais hipóteses são de vingança e queima de arquivo.
O suspeito das execuções é Oscar Ferreira Neto, o Oscarzinho, amigo de infância de Guilherme. José Carlos acredita que, por este envolvimento com Oscarzinho, Guilherme pode ter se tornado alvo das investigações.