Cidades

Guerra na fronteira

Tiroteio que matou narcotraficante teve participação de 70 pistoleiros

Autoridade diz que poder de fogo foi 300% superior ao da polícia

Redação

16/06/2016 - 10h05

Entre 50 e 70 pessoas participaram do tiroteio que causou terror na fronteira do Brasil com o Paraguai e terminou na morte do narcotraficante Jorge Rafaat, na noite de ontem. Governador do departamento de Amambay, que tem Pedro Juan Caballero como capital, Pedro Gonzalez, afirmou à imprensa paraguaia que a segurança precisa ser reforçada na fronteira.

Ao jornal paraguaio ABC Color, Gonzalez afirmou que o tiroteio “chocou e assustou” a cidade e que nas regiões mais próximas da fronteira com Ponta Porã os disparos duraram por 30 minutos. Em outros pontos de Pedro Juan, houve tiroteio até o amanhecer de hoje. São estimados pelo menos 5 mil tiros disparados durante a noite.

O governador da província afirmou que há mais de 17 anos há somente 15 soldados do exército paraguaio na fronteira e que é necessário mais policiamento no local.

“O poder de fogo do crime organizado foi superior a 200% ou 300% o da polícia. Os agentes estão em desvantagem ", disse Gonzalez que ainda ressaltou que pistoleiros brasileiros participaram do tiroteio.

SEGURANÇA

Durante o tiroteio e depois da morte do narcotraficante, tanques do Exército Brasileiro foram vistos transitando na fronteira, mas segundo o Comando Militar do Oeste, não houve nenhuma ação por conta dos ataques no país vizinho.

O deslocamento dos blindados se deu por conta de logística da Operação Ágata, que é realizada na fronteira desde terça-feira. Ainda segundo o CMO, se fosse necessária a intervenção do Exército, qualquer ação teria de ter autorização do comando em Brasília e ações só poderiam ser feitas em solo brasileiro.

Confira vídeo feito por morador que registrou o tiroteio:

 

TRAFICANTE 

O alvo principal do ataque foi Jorge Rafaat, apontado como um dos principais chefes do narcotráfico na fronteira. Rafaat foi condenado pelo juiz federal Odilon de Oliveira por duas vezes, em 2005 e 2014. Ele ficou três anos preso, mas fugiu para o Paraguai e nunca mais foi encontrado. Somando as condenações, são mais de 47 anos. 

"Confisquei da organização 49 itens, entre várias fazendas, no Brasil e no Paraguai, diversos imóveis urbanos em alguns Estados, 7 aviões, muitos veículos", disse o juiz.

O assassinato dele ocorreu em Pedro Juan Caballero. O criminoso foi cercado por pistoleiros em seu carro blindado e mesmo fortemente armado e cercado por guardiões, não se livrou da morte nem mesmo com todo o aparato de segurança.

De acordo com informações do site paraguaio ABC Color, o ataque é atribuído ao ''barão da droga'' Chimenes Jarvis Pavão, em parceria com a organização criminosa do Brasil Primeiro Comando da Capital (PCC).

Tiroteio começou durante a noite de ontem e se estendeu até a madrugada desta quinta-feira. Segundo o noticiário, foram cerca de quatro horas de enfrentamentos entre duas facções na disputa pelo território do tráfico de drogas. O cenário, conforme relatos, era de terror. Tanques do Exército Brasileiro, que estava na região por conta da Operação Ágata, e Paraguaio, além de policiais dos dois países, foram mobilizados e até a fronteira teria sido fechada.

Segundo o ABC Color, depois de cessado os tiros, dois estabelecimentos comerciais foram incendiados. Por volta das 4h30 de hoje, loja de nome "Pneus Porã" e outro comércio foram, simultaneamente, tomados por fogo. Um dos pontos seria de propriedade do traficante morto Jorge Rafaat. Bombeiros combateram as chamas.

No contexto da guerra do narcotráfico, sete pessoas teriam sido presas. A polícia ainda não divulgou oficialmente a quantidade de mortos e feridos.

O velório de Rafaat acontece na manhã de hoje, em Ponta Porã, e a segurança é reforçada por policiais militares.

 

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