A visita do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Leonardo Góes Silva, à Campo Grande, na tarde de hoje, parece não ter surtido o efeito esperado pelos movimentos sociais. Eles cobram a retomada da redistribuição de terras no Estado, afirmando que as ações não são realizadas desde 2010.
Góes contou que veio ao Estado para dialogar com movimentos sociais a pauta da Reforma Agrária, especialmente no que diz respeito ao avanço e aos entraves da questão. Quando questionado se há recursos disponíveis para realizar a distribuição das terras, ele disse que é preciso antes estudar as peculiaridades que envolvem Mato Grosso do Sul.
“Incra primeiro está fazendo uma análise do que tem de possibilidades aqui, se comprometendo a analisar os casos e, sim, há como avançar”, reforçando que o objetivo desta visita ao Estado é pacificar. “É ouvir a pauta dos movimentos sociais e atuar de forma a diminuir a tensão por terra”, completou.
Os representantes dos movimentos pró-reforma agrária esperam que 10 mil famílias sejam assentadas até o fim do ano. Mas Góes não respondeu se essa reivindicação será atendida. “O Governo tem obrigação de analisar e fazer dentro da condição orçamentária. Sim, há condição de avançar, mas o número é algo que merece uma análise mais acurada”.
Ele pontuou que o orçamento do Incra para obtenção de terras, historicamente, gira em torno de R$ 700 milhões.
Hélio Cardoso, do Movimento Central dos Trabalhadores do Brasil, deixou a reunião insatisfeito com os argumentos apresentados por Góes e disse que a “reunião foi rotineira, mais um tapa-buraco”, reforçando que nenhuma solução foi apresentada.
A opinião é compartilhada pelo diretor nacional das Ligas Camponesas, Adonis Marcos. “A vinda do presidente do Incra para cá não trouxe nada de efetivo. Ele trouxe apenas falsas promessas. A única coisa de concreto que ele falou que vai fazer é o cadastramento das famílias porque o resto ele deixou a desejar”.