A iniciativa e o interesse de mudar o mundo, a cidade onde se vive ou o bairro pode fazer parte da vontade de muita gente. Como conseguir fazer isso já é mais difícil, mas não é impossível.
Principalmente depois que a internet transformou-se em espaço aberto para troca de informações e as redes sociais ganharam força e alcance, decidir tomar iniciativa para mudar a realidade que se vive pode ser algo mais real.
Rene Silva, com 17 anos, confirmou toda essa história ao divulgar, pelo Twitter, a ação da polícia ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2010. Ele tem um jornal eletrônico, o Voz da Comunidade, que relatou detalhes que só quem estava no meio do cerco poderia divulgar.
Ajudado por Igor Santos, então com 15 anos, e Jackson Alves, na época com 13 anos, os três twittaram detalhes do tiroteio e dos ataques dos traficantes. Tudo foi feito a partir da janela das casas onde viviam, no Morro do Adeus.
Os três mostraram que adolescentes de um local pobre, sem infraestrutura e que talvez dificilmente conseguiriam ganhar destaque mundial, com a internet e as redes sociais puderam ter voz bem mais forte do que se imaginava.
Rene Silva apareceu na lista da revista Forbes de 2015 como um dos 30 jovens brasileiros com idade inferior a 30 anos mais influentes e o jornal inglês The Guardian o elegeu como um dos seis jovens que devem mudar o mundo.
Ele continua com o Voz da Comunidade e neste ano a sua atuação chegou a Mato Grosso do Sul. Rene Silva veio para Campo Grande em junho compartilhar o conhecimento e experiências para incentivar grupo de adolescentes a olhar diferente para os problemas da cidade.
ACREDITAR PARA TRANSFORMAR
Rene Silva com adolescentes de aldeia indígena em Dourados. Foto - Divulgação / Voz da Comunidade"É possível transformar o lugar que a gente vive. Usar a ferramenta da internet para a comunicação comunitária é um caminho. A gente veio aqui contar um pouco o que a gente faz, que é possível mudar", afirmou Rene.
Por meio de parceria com a entidade Brazil Foundation, a troca de informações e experiências foi viabilizada entre o Voz da Comunidade e o Instituto Luther King, que atende adolescentes com aulas de pré-vestibular e informática na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 603, no Centro da Capital.
Além de Rene, Roberto Meirelles, Bento Fábio e Tiago Bastos vieram a Campo Grande para dar palestra a alunos da Escola Municipal João Nepomuceno, no bairro Vila Santo Amaro, do Instituto e ainda houve visita a entidades de Dourados.
"A lição dada foi a importância do uso da mídia e das redes sociais. Nosso foco é incentivar os jovens a fazer algo pelo próximo. Seja através de jornal ou outro meio. Mostrar que uma ação pode transformar uma escola, uma comunidade e, quem sabe, o mundo", sugeriu a coordenadora da organização não governamental sul-mato-grossense, Janilce Meire Gomes Muniz.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS
Financiada pela Brazil Foundation, quatro integrantes do Instituto Luther King viajaram para o Rio de Janeiro para acompanhar um final de semana no Voz das Comunidades. Ao todo, 40 alunos ficaram interessados na viagem e um foi escolhido.
"O escolhido foi o aluno que se destaca em trabalho voluntário aqui no Instituto. Dois professores também foram, um deles é uma ex-aluna", comentou Janilce, que integrou a comissão formada por Paulo Amâncio Caldas, Marcos Vinícius Campelo Júnior e Suzy Rannielly Roberto Ferro.
Roda de conversa entre Rene Silva e adolescentes que frequentam a ong Instituto Luther King. Foto - Divulgação / Voz da ComunidadeO QUE MUDAR
"Todo mundo que a gente conversou se animou muito em resolver os problemas. Vale criar uma página no Facebook, usar o Instagram", apontou Rene Silva, ao comentar o feedback que viu dos alunos que participaram das palestras que ele promoveu.
Pela primeira vez em Campo Grande, o comunicador de 22 anos foi perguntado o que poderia sugerir para mudar na cidade. "A cidade foi muito acolhedora, isso foi algo muito positivo que a gente notou. De negativo, os buracos nas vias estão demais. Acho que algo poderia ser feito", opinou Rene.
A ALDEIA E A MUDANÇA
A intenção de divulgar o que acontece na rotina para tentar mudar a realidade foi debatida também em Dourados, com índios que vivem em aldeia da cidade.
"Troquei uma ideia muito bacana e me contaram um pouco da situação que esta acontecendo nesse momento. Diversos fazendeiros invadiram seus espaços e atiraram pra todos os lados... Foi triste! Compartilhei da minha experiência com o Voz da Comunidade para que eles pudessem entender como transmitir ao vivo esses tipos de situações", explicou Rene.
Equipe do Voz da Comunidade, que é do Rio de Janeiro, que veio a Campo Grande no mês passado. Foto - Rene Silva / Voz da Comunidade