Viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está há mais de 4h parada no estacionamento do Hospital Universitário (HU), em Campo Grande, por falta de leito em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
Além de não ter vaga, a unidade hospitalar não tem funcionários nem equipamentos necessários para realizar o atendimento ao paciente transportado para lá, com idade entre 20 e 23 anos.
Por conta disso, o doente ainda utiliza a maca do Samu, o respirador manual e o médico da viatura, que desde às 10h40min reveza com enfermeiro o bombeamento de oxigênio ao paciente.
Como os profissionais não podem deixar o local, caso contrário o homem pode morrer, a viatura está impossibilitada de realizar atendimento a outras ocorrências.
Para Campo Grande, atualmente, há três viaturas disponíveis, mas desde as 10h40min que apenas duas estão disponíveis para atendimento de acidentes e outros chamados graves.
De acordo com protocolo de regulamento o Samu, a equipe deveria deixar o paciente no hospital e voltar para a base na sequência.
FALTA TUDO
A gerente de atenção à saúde em exercício do Hospital Universitário Claudia Lang confirmou o caos. “A situação é exatamente esta. Não sei por qual motivo o Samu resolveu trazer esse paciente para cá, sendo que nossa equipe de regulação do hospital já havia informado a falta de leitos”, informou a médica.
Ela ressaltou que o paciente em questão estava entubado há cinco dias em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Seria menos pior ele ter continuado lá, do que ter que ficar nestas condições aqui. Entre um respirador automático e o manual há muita diferença."
SEM ESPAÇO
Dentro do HU a superlotação de pacientes aparece como grave problema. Sem leitos, pacientes aglomeram-se nos corredores enquanto aguardam por um leito na enfermaria ou quarto. “Temos seis vagas na área vermelha, mas atualmente são 10 pacientes internados nela”, contou Claudia Lang, do Hospital Universitário.
“Nosso pronto socorro é pequeno, temos oito pessoas na ventilação mecânica e não temos mais respiradores, estão todos tomados, não temos estoque disponível e nem ar comprimido de oxigênio. Não adianta ter o aparelho se não tem rede de gás”, explicou a médica. “Inclusive nem macas temos."
Segundo ela, a situação foi repassada ao secretário adjunto de saúde do município, Victor Rocha Pires de Oliveira.
"Ele disse que ia tentar mandar equipe do Samu, com ambulância simples, para a equipe da viatura avançada poder sair e atender outras ocorrências”, revelou a gerente de saúde do hospital.
A reportagem do Portal Correio do Estado entrou em contato com Victor Rocha. Ele resumiu-se a dizer que o caso estaria resolvido, sem dar detalhes.