Diante dos diversos telefonemas que recebeu e das incontáveis chances em dizer não, o analista judiciário Wilmar Nery da Silva, de 53 anos, disse sim para todas as vezes que lhe telefonaram questionando se ele continuaria sendo um doador de medula óssea para uma pessoa com grande potencial de compatibilidade.
“Não preciso saber quem é, apenas de saber que fiz o bem a alguém, já é uma benção para mim”, disse.
Com estas palavras, Wilmar descreveu o sentimento de ter sido um doador de medula óssea, onde a compatibilidade é determinada pela genética e a chance de encontrar um doador compatível com um paciente é em média 1 em 100 mil.
Wilmar foi responsável por dar a uma criança (única informação que a equipe médica transmite) a chance de sobreviver.
Desde 1990 Wilmar é doador de sangue. Ele não sabe especificar desde quando se cadastrou no Redome (Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea).
O processo de doação começou há seis meses, quando no trabalho recebeu a primeira ligação.
“Ligaram do Redome no meu celular e falaram que tinha possibilidade de uma compatibilidade. Perguntaram se eu continuava disponível como doador e disseram que entrariam em contato novamente para que confirmasse a compatibilidade em outro exame. Após três meses me ligaram e falaram para fazer novo exame de sangue”, explicou.
CIRURGIA
O procedimento cirúrgico foi realizado na cidade de Curitiba (PR). A unidade daquela cidade é um centro de excelência no assunto.
Tanto ele como a esposa, que o acompanhou nos procedimentos hospitalares, tiveram todos os procedimentos, como a viagem e a estadia, pagos. “Antes de viajar já depositaram uma quantia na minha conta bancária e falaram que se o valor não fosse suficiente que bastaria avisá-los, mas o valor foi suficiente”.
Um dos fatos que chamou a atenção de Wilmar foi a excelência e organização de todo o processo que é realizado pelo Redome, coordenado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). “Me surpreendeu positivamente essa organização deles”.
TELEFONE TOCOU
Quando recebeu a primeira ligação, o questionamento inicial, e em todos os demais contatos, era se ele persistiria com a intenção de ser doador.
Em Curitiba, no dia que foi fazer os exames de risco operatório, já saiu de lá com data de retorno para fazer a doação.
Ele tinha duas opções de doação: uma menos invasiva, que coleta na artéria próxima do coração, e outra na região dos ossos. Ele optou pelo segundo método, considerado mais invasivo, pois tem menos chances de rejeição para quem recebe.
Ao todo, entre internação, doação e recuperação, o processo durou 15 dias. Conforme Wilmar, o pós operatório é tranquilo e sem nenhuma dor.
“Não dói, nem antes nem durante nem depois, vida normal. Num dia você interna, no outro faz a cirurgia e no terceiro vai embora. Apenas sinto que passei por um processo cirúrgico”.
SORTEADOS DUAS VEZES
Ao contrário do ditado popular que diz que “um raio não cai duas vezes num mesmo lugar”, há pouco tempo o filho de Wilmar, de 31 anos, recebeu a ligação informando que ele pode ser compatível com um receptor. Agora, o rapaz aguarda nova ligação para enfim seguir o exemplo do pai.
“Meu filho está nesse processo, assim como aconteceu comigo ligaram para ele falando que existe uma possível compatibilidade. Ele aguarda essa nova ligação”.