O semblante dos moradores mudou, o silêncio tomou conta das ruas e na via por onde o caminhão passou matando 84 pessoas e ferindo outras dezenas em Nice, no sul da França, o que se vê são os objetos abandonados pelos que correram e por aqueles que não tiveram tempo de fugir.
Esse cenário foi descrito pela cozinheira campo-grandense Luíza Rodrigues Muniz, de 48 anos, que mora a poucos metros do local do atentado.
Por acaso, Luíza estava em casa na noite de ontem (14), quando ocorreu o ataque terrorista, mas assim que o dia amanheceu ela foi ao local do atentado.
“É muito ruim de ver. São sapatos perdidos, carrinhos de bebê, casacos. Na cidade ninguém fala. Hoje está triste, muito triste mesmo."
Em um relato entrecortado por pausas, Luíza contou que tinha combinado com duas jovens chinesas que estavam hospedadas na casa dela para irem juntas até à festa de comemoração da Tomada da Bastilha, mas acabou desmarcando porque não se sentiu bem.
Luíza em ocasião anterior numa das igrejas de Nice (foto:Arquivo Pessoal)
Luíza colocou tampões no ouvido para conseguir dormir em meio à explosão dos fogos de artifício, mas despertou minutos depois com inúmeras mensagens no celular e percebendo a movimentação das hóspedes.
“Vi que elas voltaram para casa e logo em seguida minha filha ligou para saber se eu estava bem”.
Ela disse que demorou um tempo para entender o que estava acontecendo e, a partir daquele momento, não dormiu mais. “Tinha pessoas correndo na minha rua, se escondendo em restaurantes. Fiquei chocada. Foi um pânico total. É como se tivesse passado um terremoto”.
Depois do desespero, o sentimento de luto se espalhou pela cidade. “As pessoas param, põe a mão na boca e ficam olhando. Ninguém quer falar. Ninguém tem palavras”.
Outros, segundo ela, deixaram flores em homenagem aos mortos. “Eu não consegui ficar em casa, fui para perto das pessoas porque a gente se sente melhor quando está perto de todo mundo”.
Luíza revelou que as igrejas de Nice mantiveram as portas abertas o dia inteiro de hoje e as religiões se uniram em oração.
Além disso, equipe de psicólogos foi colocada à disposição da população. Na televisão, o assunto é o atentado e a lista com nome dos mortos e feridos está, aos poucos, sendo divulgada. O comércio, claro, está fechado, assim como as praias privadas de Nice.
“Uma cidade que era uma loucura de barulho e gente, você olha agora e parece um deserto”, declarou Luíza.
VÍDEO DO ATAQUE