Há 8 anos, ainda bem jovem, Sílvio Pitu encantou-se pela possibilidade de ajudar pessoas em alguns bairros de Campo Grande por meio de projetos que lhes dessem dignidade, uma renda e a oportunidade de aprendizado. Foi assim que ele se tornou líder comunitário, promovendo a assistência social. Pré-candidato a vereador pelo PMN, ele fala nesta entrevista sobre sua trajetória um tanto peculiar, iniciada de forma inversa à maioria dos políticos. Para Pitu, apenas a política participativa, junto à população, é que pode trazer soluções reais para os problemas da comunidade.
CORREIO PERGUNTA
Você tem 32 anos e, há 8, dedica-se a realizar projetos sociais em Campo Grande. Explique ao leitor onde e quais são eles.
SÍLVIO PITU - Bem, minha história é um tanto peculiar, porque eu fiz o inverso do político comum. Há 7 ou 8 anos eu fui para os bairros que realmente têm necessidades, para ver como eu poderia ser um representante do povo. Montei projetos sociais e hoje alcançamos 27 bairros, onde eu montei cada polo diferente. Tive também um programa de rádio voltado à comunidade, com promoções e série de atividades comunitárias. Meus projetos estão espalhados por Campo Grande inteiro. São vários tipos de projetos sociais e eu comecei o primeiro com as pinturas de pano de prato. Foi no Imbirussu e depois se estendeu para outros polos. Por que montei estes cursos? Eu vi que a dona de casa não tem muita atividade! Comecei vendo que ela acorda pela manhã, tem que limpar a casa, levar os filhos ao colégio. E então o marido chega, almoça, ela volta, limpa a louça do almoço e, na hora em que ela vai sentar, o marido chega de novo, desta vez para jantar. Esta mulher vive uma vida rotineira por muito, muito tempo. E o que o nosso curso proporcionou? Uma tarde de lazer, onde ela senta e faz amizades com outras mulheres do próprio bairro. Ali ela pode vir a aprender uma profissão e tem contato com a comunidade. No início montávamos as escolas e as pessoas pediam muita coisa para a gente. Hoje, não. Com estes polos as pessoas se ajudam, a comunidade se ajuda entre si. E esta é uma das coisas que encantaram meu coração.
Mas você começou como?
Comecei por vontade, porque eu sou comunitário, sempre morei em bairro e acredito muito na lei da semeadura: quando você semeia o bem, colhe o bem. Comecei a montar estes projetos muito jovem - este meu envolvimento com as pessoas do bairro me proporcionou isso. Lá trás eu via o Marquinhos Trad fazer e achava que, se eu fizesse um pouco, também poderia amadurecer os meus ideais. Assim, com a ajuda dele, fomos formando vários polos, com a ajuda dele e de empresários. Nós já atingimos a formação de mais de 400 mulheres neste curso de pintura de prato. Atualmente, são vários polos e, ativas, nós temos hoje umas 140 alunas. Isso estou falando de apenas um projeto. Outros projetos passam pela dança Zumba em praças públicas, dando às pessoas a oportunidade de fazer exercício físico, combater a obesidade, tudo gratuitamente. Hoje temos 500 alunas de zumba em vários bairros da cidade também, entre eles na Orla Morena. Todos os sábados e domingos temos nossas tardes de lazer, nas quais trazemos a comunidade para um espaço e a gente faz sorteio de prêmios, atividades, conversas. Também faço aniversário de criança que não têm condições de fazer. Compramos dois pula-pula e em vários bairros da Capital promovemos o dia da criança. No último domingo estivemos no Vida Nova 3, colocando corte de cabelo, pula-pula, tobogã, futebol, atividades sociais para as pessoas se divertirem neste período de férias.
Que importância você vê nesta função junto à comunidade?
Nós estamos vivendo um momento bem delicado. E eu sinto a falta e a necessidade do político comunitário. Hoje você não vê mais aquelas pessoas andando nos bairros como antigamente. Se o político começar a ver que na comunidade se faz bons projetos, que se consegue implantar coisas positivas, eu penso que isso vai mudar até o nosso cenário político. Por isso eu relembro aqui que fiz o inverso. Primeiro, fui prestar o serviço para um dia eu poder ter condições de ser pré-candidato.
Quais os maiores desafios enfrentados para auxiliar a população dos bairros?
É a falta de estrutura do poder público. Hoje, as pessoas são muito regionalizadas. Elas acabam levando para a região delas e não fazendo um trabalho legal. Mas dificuldade mesmo eu não tenho porque eu corro atrás. Se eu tiver uma dificuldade, para não parar meu projeto eu busco parcerias, são várias pessoas que me ajudam, pessoas boas. A dificuldade existe para quem não corre atrás, para aquele que não anda, esperando a ajuda cair do céu.
Todo este tempo de experiência o habilita a saber quais os principais problemas da cidade. Em sua opinião, quais são eles?
Nosso problema é político. Há grandes problemas a serem resolvidos e só conseguimos resolver as necessidades da comunidade se estivermos perto dela. É lá que surge a falta de remédio, é lá que surgem várias coisas. Mas nós estamos vivendo um momento muito delicado e eu acredito que o agente político inflacionou muitos projetos de lei, os quais a grande maioria da população não conhece. E o que eu quero é fazer junto, com a comunidade, os projetos de lei, as reivindicações que realmente terão benefícios para a população. Se a gente se unir - a comunidade, o bairro, interagir com as pessoas - nós vamos conseguir. As pessoas reclamam muito da falta de estrutura na saúde, educação, falta de asfalto. Acredito que o próximo prefeito terá um desafio muito grande de resgatar Campo Grande.
De que maneira você envolve a comunidade em torno de seus projetos?
Nós temos uma equipe de voluntários. Quando montamos polo vamos de casa por casa convidando, chamando as pessoas e mostrando a importância de se unir, a importância de se fazer um projeto social para atender as pessoas. Mas o ser humano, por natureza, é muito individualista. Mas depois ele começa a ser solidário, você tem que envolvê-los. É natural que a gente primeiro cuide da casa da gente. Mas quando mostramos um projeto como este, vamos para o bairro, depois de algum tempo eles começam a prestar atenção e a lutar por aquele projeto. Nós cobramos frequência e eles não deixam de ir para o projeto não acabar.
Toda esta bagagem junto à comunidade o faz sentir-se apto a se lançar pré-candidato a vereador pelo PMN. Quais são suas expectativas na vida política pública?
Minha expectativa é unir. Como eu disse, ninguém consegue fazer nada sozinho. Eu quero e vou fazer - se Deus me abençoar. Se eu for candidato e estiver entre eles, eu quero ouvir sempre a comunidade. Isso é muito fácil, nós estanos vivendo hoje uma era digital muito grande na qual você pode interagir com a população e seu eleitor. É isso que eu quero propor, a participação, até para as pessoas saberem o que está acontecendo. Se a gente conseguir unir o Executivo e o Legislativo junto com as ideias da comunidade... Porque nós não temos como não olhar para isso, pois quem realmente necessita é a população. Por exemplo, se a população está reclamando muito de Saúde, opa, então alguma coisa tem. Se a gente agir, voltar a ter esta liderança na comunidade, se a gente voltar a andar nos bairros, ouvir as pessoas, vamos conseguir fazer um bom mandato. Eu costumo dizer o seguinte: você só sabe o que o outro está precisando se você for lá, se for lá conversar. E é isso que eu quero propor. Quero fazer uma política participativa, uma política de projetos que realmente ajudem a população. Eu não quero ser campeão de projetos, quero ser campeão de projetos que realmente são viáveis. Quero ser campeão na qualidade, não na quantidade. Quero ser o político presente, porque este acesso à comunidade é muito importante, é preciso saber o que está acontecendo. Como você vai fazer uma prova se não sabe o conteúdo? Por isso que acredito que se a gente se unir, trouxer a população para a era digital, utilizando-se de vários mecanismos - é só ter boa vontade - a gente consegue fazer um excelente mandato e não só isso, ajudar a comunidade. Porque a pergunta certa é: por que eu quero ser um pré-candidato? No meu caso é porque eu quero ajudar . Para isso, então, tenho que correr atrás .
Você acha que o povo está mais participativo e aprendeu a reivindicar melhor? Por quê?
Na verdade, eu penso que este é um momento em que o leitor está mais inteligente. Ele anda fazendo muitas perguntas e eu não sei se é por indignação ou por ver este monte de desafios que tem pela frente. O eleitor agora começou a analisar, a ter muito interesse político e isso é muito importante. Porque eu sempre falo: não existe político que entra sem voto, político só entra se ele for votado. E agora o eleitor está mais participativo, a comunidade está mais participativa. Eles querem saber o porquê de você estar na política, quais são os motivos, o que você tem de serviços prestados. E eu fiz justamente o inverso, fui primeiro para a comunidade, fui ver as necessidades. E o eleitor está vendo isso.
Você acredita que este seu trabalho diferenciado é a chave que vai levá-lo à vitória na urna?
Não. Não porque eu fiz isso pelo meu coração. O que você dá com a mão direita não cobra com a esquerda. Tudo isso me ensinou a ser uma boa pessoa, agora, se eu espero resposta, isso jamais vou esperar. É como eu falei, a vida é a lei da semeadura... Quanto mais você semeia... Mas eu acho que tudo isso me ajuda porque as pessoas te conhecem mais. Normalmente, quando você faz um trabalho como este, social, as pessoas ao redor te veem como uma pessoa diferente, elas percebem que você tem boas intenções. Penso que, no mínimo, o político tem que ter boas intenções e tem que conversar.
Quais os principais projetos que, caso eleito, você quer colocar em prática?
Quero sempre interagir com a comunidade, nós precisamos saber o que ela realmente necessita. Não adianta eu passar alfalto numa localidade e ver que lá não tem médico num posto de saúde. Nós temos que fazer uma lista de prioridades e unir Executivo e Legislativo para resgatar Campo Grande. Por quê? Porque não adianta a gente fazer coisas pessoais, não suprir as reais necessidades daquela comunidade. O principal é fazer a união, conversar com as pessoas. Uma coisa sobre a qual as pessoas perguntam muito é a distribuição da casa própria. É preciso fazer um projeto de lei para que isso seja mais transparente, para que seja mais forte e realmente dar a casa para quem mais necessita. É preciso repaginar esta política, porque tem solteiro que ganha casa e pessoa com 3, 4 filhos que não ganha. É preciso dar um “boom” em Campo Grande. Estamos vivendo o momento mais delicado no Brasil. É preciso elencar as prioridades e, a partir daí, tratar de resolvê-las. Uma das teclas em que eu vou bater muito, insistir muito é por que nós ainda não temos nosso Hospital Municipal. Temos vários prédios abandonados. Por exemplo, a rodoviária inacabada; por que lá não pode ser o nosso Hospital Municipal se a gente já tem o prédio com a estrutura?! Eu vou lutar muito por isso. Saúde e educação são pontos que precisam estar lincados.