Promotor de Justiça que acompanha crime de tortura que terminou com morte de criança de 3 anos em Dourados classificou o caso como "ato de selvageria".
João Linhares Júnior, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Dourados, realizou audiência de custódia na tarde de ontem (29) e pediu a prisão preventiva (sem prazo para findar) dos principais suspeitos do crime, Vanilson Espíndola Agueiro e a mulher dele, Roseane Peixoto, ambos de 28, que são tios da vítima.
A menina, que era criada pelo casal desde 2 de dezembro de 2015, sofreu várias lesões graves pelo corpo causadas por água quente. Ela também apresentou machucado no órgão genital e tinha uma perna quebrada.
Segundo apurado, a mãe da menina, que morreu no Hospital da Vida na quinta-feira (28), seria usuária de drogas e por isso havia perdido a guarda. Foi na unidade de saúde que funcionários acionaram Conselho Tutelar e Polícia Militar devido à gravidade dos machucados.
Os tios foram presos na sexta-feira e vão responder pelos crimes de tortura e estupro de vulnerável, ambos considerados hediondos.
“Os acusados já foram ouvidos em juízo e o Ministério Público vai garantir o direito público, pois foi um ato de selvageria que ocasionou revolta e indignação na população local”, explicou o promotor de Justiça.
Chaleira que teria sido usada para jogar água quente em criança vítima de tortura. Foto: Fabiane Dorta/Dourados NewsVERSÃO DOS ACUSADOS
Na delegacia, Vanilson e Roseane mantiveram a versão que a sobrinha tinha sofrido acidente de bicicleta para justificar os ferimentos.
Sobre machucados na região genital da vítima, Roseane alegou que a criança foi até fogão onde estava chaleira quente e acabou virando o recipiente, ferindo-se.
À polícia a tia confirmou que usava escova de lavar roupas para dar banho na menina e declarou que a intenção era “ensinar a criança a pedir para fazer necessidades”. A garota não conseguia andar porque estava com a perna quebrada.
Roseane Peixoto e o marido Vanilson Espíndola, tios da criança. Foto: Osvaldo Duarte/Dourados NewsO CASO
Menina de três anos morreu na quinta-feira (28) à noite depois de ser estuprada e espancada. Durante as agressões, a criança teve a perna quebrada e a demora em buscar atendimento médico resultou em necrose.
A violência acontecia desde segunda-feira (25), na Aldeia Bororó, reserva indígena de Dourados.