Pelo terceiro ano consecutivo, os mais de 95 mil matriculados na Rede Municipal de Ensino (Reme) receberam os kits escolares com atraso. Na Escola Etalivio Pereira Martins, o material foi entregue aos alunos do 4º ano na sexta-feira, 5, porém, umas das crianças recebeu cadernos rabiscados, lápis de cor usado e giz de cera quebrados.
O caso foi denunciado nas redes sociais pela mãe da aluna de 9 anos, do 4º ano, Josimara Brandini. “Ela recebeu o kit na tarde de sexta-feira. Quando fui buscá-la, no carro, ela falou que vieram algumas coisas quebradas no kit, mas achei normal, porque o irmão recebeu o kit antes das férias, e veio tudo certinho, apenas giz e régua quebrados, como eu estava dirigindo, falei que via depois”, explicou Josimara Brandini.
A mãe relatou ao Portal Correio do Estado que, no sábado, quando pegou o material da filha, viu que estava tudo rabiscado, quebrado e usado. “Borracha com nome de outra criança, giz quebrado e usado, caderno rabiscado e lápis de cor usado”, relatou a comerciante.
Apesar de o fato ter ocorrido na sexta-feira, a mãe da criança disse que, até o fechamento desta matéria, não havia entrado em contato com a diretora da escola nem com equipe da Secretaria Municipal de Educação (Semed). “Mandei e-mail para Semed hoje cedo e me responderam para procurar a diretora da escola e a ouvidoria da secretaria. Mas, como estou muito corrida hoje, quando for buscar as crianças no final da tarde, às 17h10min, vou conversar com a diretora e com outros pais de alunos para saber se aconteceu com mais crianças também”, destacou.
Procurada pela equipe de reportagem, a secretária da Semed, Leila Cardoso Machado, afirmou que já foi aberto ato administrativo para apurar o fato e não descarta que a ação tenha envolvimento político. “É uma ação de cunho político partidário. Já acionamos a Justiça para devidas providências”, ponderou a secretária.
Segundo a responsável pela pasta, o kit vem lacrado e fechado. “O que me deixa mais surpresa é o fato de a mãe ter ido direto à imprensa, e não ter levado a situação primeiro ao conhecimento da diretora nem da Semed”, argumentou Leila.
“Ficamos sabendo do ocorrido pelo Facebook. É alguém querendo prejudicar a gestão Bernal, não tenho dúvidas disso. Qual interesse que a administração teria em entregar kits usados? A pessoa não reclamou na escola e usou de má-fé contra a administração”, afirmou Leila ao reforçar que a procuradoria jurídica do município já foi acionada e boletim de ocorrência registrado.
“Abrimos um ato administrativo para apurar o fato, se tiver algum servidor envolvido, é aberta uma sindicância, que tem prazo de 30 dias para concluir a apuração”, finalizou a secretária.