Cidades

DOENÇA RARA

Menino que precisa de cirurgia de R$ 10 milhões piora e é levado para UTI

João Pedro, de 2 anos, tem Síndrome de Berdon e está internado no PR

Redação

10/08/2016 - 16h26

João Pedro Silva, de dois anos, segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, na região Metropolitana de Curitiba (RMC), nesta quarta-feira (10). Ele foi transferido depois que seu estado de saúde piorou na madrugada de terça-feira (9).

O menino sofre de Síndrome de Berdon, uma doença rara que afeta os órgãos do aparelho digestivo. Para sobreviver, ele precisa de um intestino e de um fígado novos. A cirurgia é complicada, custa cerca de R$ 10 milhões, não há registro de casos bem sucedidos no Brasil.

A família luta na Justiça para que o Governo Federal banque o transplante multiviceral de órgão em Miami, nos Estados Unidos.

Antes de ir para UTI, João Pedro estava internado na enfermaria do mesmo hospital desde fevereiro deste ano.

No entanto, até o diagnóstico, o menino passou por hospitais da cidade natal, Londrina, no norte, e de Curitiba. A descoberta da doença só ocorreu em janeiro deste ano, no Hospital Pequeno Príncipe, na capital.

"O corpo dele está muito, muito fraco. As veias, por exemplo, já secaram todas, o que dificulta a alimentação, que é toda feita por Nutrição Parenteral Total [NPT]", conta a mãe, Avelita Barbosa da Silva, de 28 anos. Ainda de acordo com ela, essa é apenas uma das várias consequências da doença que fizeram o menino piorar.

Quem sofre de Síndrome de Berdon também apresenta retenção urinária, têm a bexiga dilatada, a barriga e os rins inchados, os músculos do abdômen flácidos, sofrem com obstução intestinal, além de outros problemas.

Segundo Avelita, o filho apresenta todos os sintomas da doença, que não tem cura. "Além de tudo, ele está muito triste. Quer comer, beber e não consegue. Pede pastel, miojo, água, mas não pode nada disso", relata.

Ainda de acordo com a mãe, a equipe médica até liberou, por um tempo, água de côco. No entanto, o líquido fez mal e foi cortado novamente.

Avelita afirma que está difícil manter o filho vivo, mas garante que não perde a esperança. "Os médicos dizem que é um milagre ele ainda estar vivo. Tenho fé que tudo vai dar certo", afirma ela, que deixou Londrina, os outros dois filhos e o trabalho para cuidar do caçula no hospital.

Briga na justiça
No último despacho, que data do dia 26 de julho, a juíza Soraia Tullio determinou que a criança seja encaminhada para especialistas em São Paulo se tiver condições de viajar.

Além de tudo, ele está muito triste. Quer comer e beber, mas não consegue"
Avelita Barbosa da Silva, mãe de João

O despacho determina ainda que o menino seja levado para operar no exterior caso não seja possível realizar a cirurgia na capital paulista. Mais uma vez, a viagem só é possível se João apresentar um estado de saúde considerável.

Para tanto, o governo, conforme a decisão judicial, deve falar com os médicos responsáveis pelo menino em Campo Largo; deve, ainda, contratar peritos que atestem a possibilidade de ele viajar ou não; se a perícia for positiva, a União deve também arcar com as despesas de João e de seus acompanhantes e encaminhá-lo o quanto antes para São Paulo.

A Advocacia Geral da União (AGU) tinha 15 dias para informar os procedimentos adotados até então para o cumprimento da decisão judicial. O prazo terminaria na quinta-feira (11).

No entanto, devido à gravidade da situação de João Pedro, decidiu, na terça-feira (9), que a AGU informe, urgentemente, todas as providências já tomadas.

Em resposta, a AGU informou que "a decisão proferida já foi comunicada ao Ministério da Saúde, para que sejam prestadas todas as informações requeridas, com a maior brevidade possível".

Serviço
Avelita lançou a campanha "Ajude o João Pedro a viver" na internet. A intenção é arrecadar dinheiro para quando ela for acompanhar o filho na cirurgia, já que as despesas de acompanhantes não são cobertas pela União.

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