Remanejamento do servidor Luiz Eduardo Lopes, de 45 anos, executado na manhã de hoje, com seis tiros, na Avenida Raquel de Queiroz, no bairro Aero Rancho, não tem ligação com a morte do homem que há 25 anos atuava como fiscal sanitário na prefeitura de Campo Grande, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). A mudança de cargo foi publicada hoje no Diário Oficial do município.
A tese é reforçada pelo delegado plantonista que atendeu o caso, Giulliano Carvalho Biacio. Segundo ele, a mudança de cargo apenas estaria relacionada à questões administrativas.
Durante conversa informal, familiares do advogado disseram que o homem sofria de transtorno bipolar (alteração entre períodos de muito bom humor e períodos de irritação ou depressão, as chamadas oscilações de humor) e era considerado estressado e agressivo.
Ainda no início das investigações, a autoridade policial contou que as primeiras pessoas começaram a ser ouvidas informalmente. "Estou checando algumas informações, conversando com pessoal da família, do trabalho e amigos. A esposa e a irmã falaram que ele sofria desta doença", ressaltou o delegado ao detalhar que o advogado tinha o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas não atuava no ramo. "Ele era concursado da prefeitura há muitos anos, não podia advogar", pontuou Biacio.
Ao ser questionado sobre o que possa ter motivado o crime, o delegado disse que a irmã e a esposa não souberam dizer. "Elas não disseram que não têm ideia, apenas relataram a doença e disseram que ele sofria alterações de humor, era estressado e agressivo".
Mesmo com a personalidade citada pela família, funcionários que trabalhavam junto com Luiz relataram ao delegado que ele nunca apresentou sinais agressivos ou qualquer outro ato que pudesse gerar desentendimento com os colegas. "Pessoal do serviço disse que nunca notaram alteração nenhuma de humor, que era uma pessoa normal e solicita".
Apesar de a alteração de humor contribuir para que a vítima tenha criado desafetos, segundo o delegado, nada justifica a execução do fiscal sanitário que há 24 anos atuava na prefeitura de Campo Grande .
O CASO
A suspeita da polícia é que ele se preparava para iniciar os trabalhos de fiscalização quando foi morto.
No carro dele, os policiais encontraram várias pastas com documentos de estabelecimentos e da Vigilância Sanitária. Ainda não há suspeita se o trabalho dele tenha ligação com o crime.
Segundo o delegado, Luiz estava em um Volkswagen Gol preto e descia a avenida quando começou a ser seguido por um Palio modelo antigo de cor prata. Conforme testemunhas, o motorista do Palio deu sinal de luz para o advogado que estacionou o carro.
Antes mesmo de descer do veículo, Luiz foi surpreendido pelo passageiro do carro prata que desceu e atirou pelo menos seis vezes contra ele. O fiscal morreu na hora. A dupla fugiu e quase atropelou um pedestre. Ninguém foi preso.
A reportagem apurou que nos últimos meses Luiz recebia auxílio-doença da prefeitura e coincidentemente hoje ele foi relacionado entre outros servidores da Vigilância Sanitária que foram remanejados de função. A publicação saiu no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) de hoje.