Depois de temporal que destruiu barracos na favela do Bom Retiro e moradores ficaram desalojados, presidente da Ong Social Morhar, responsável pela construção das casas populares, Rodrigo da Silva Lopes, informou que as obras estão dentro do prazo e serão entregues em outubro.
Barracos foram destelhados e tiveram lonas rasgadas durante temporal que caiu na noite de ontem em Campo Grande. No Bom Retiro, moram famílias removidas da Cidade de Deus.
Sueli Marcelo Almorena, de 43 anos, foi uma das moradoras que teve o barraco destelhado e questionou a demora na entrega das casas, que só tiveram escavação de base até o momento.
“Faz um mês que marcaram a entrega da fundação. Eu e um monte de gente já caímos nos buracos e a promessa agora é que a entrega da casa será para 10 de outubro”, disse.
Lopes confirmou a data de entrega, mas negou que obra tenha sido adiada. “Não está atrasado, aqui foi para outubro [a entrega], em setembro era Jardim Canguru e Teruel, na região do Lageado”, disse ao Portal Correio do Estado.
A informação foi confirmada pelo diretor-presidente da Agência Municipal de Habitação, Dirceu Peters. Segundo ele, a construção das casas está dentro do cronograma do mutirão assistido e o Bom Retiro deve ser o último bairro assistido.
Presidente da Morhar explicou ainda que se trata de mutirão assistido porque cada morador é responsável por construir, fiscalizar e pelo acabamento da obra. Sobre a cobrança em relação a qualidade ou falta de material, afirmou que se tratam de "inverdades".
“Essa casa é passada por todo um corpo técnico de engenheiros, arquitetos e profissionais dessa área. Ela tange por qualidade e segurança. Toda casa é construída com um único padrão, a ferragem, a qualidade dos tijolos, tudo. Cada pessoa tem todo esse material disponível para fazer", disse.
Moradores questionam também atraso no pagamento pelos serviços já realizados. Empresa garantiu que pagamento será feito amanhã.
DESTRUIÇÃO
Rajadas de vento de 83 km/h, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram responsáveis pela destruição. Chuva e falta de energia elétrica complementaram momento de horror das 118 famílias removidas da Cidade de Deus para o local.
Equipe da Defesa Civil distribuiu, ontem, lonas aos moradores. Já o Fundo de Apoio à Comunidade média de 325 cobertores, roupas e só amanhã entregará cestas básicas. Enquanto isso, refeições são disponibilizadas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da Vila Nasser.
prefeito Alcides Bernal (PP) FOI local e disse que equipes da Secretaria de Infraestrutura, transporte e habitação (Seintrha), Agência Municipal de Trânsito (Agetran), Guarda Municipal e Defesa Civil estão pela cidade trabalhando na retirada de árvores e no conserto os semáforos estragados.
TENSÃO
O clima ficou tenso no Bom Retiro no momento em que o funcionário da Morhar, responsável pela obra, João Costa, chegou ao local. Ele teve o carro cercado por moradores e, supostamente, teria feito ameaças dizendo que pegaria uma arma.
Com a situação, equipe do 9º Batalhão da Polícia Militar esteve no local. Os policiais conversam com moradores para acalmar os ânimos. Em revista, somente no carro, nada foi encontrado. O sargento Francisco Novelli pontuou que o responsável da obra "aparentemente não estava [armado]".