Cidades

EM CRISE

Com crise de segurança, governador do RS quer Força Nacional no Estado

Ex-secretário de MS estava no comando da segurança do estado

Redação

26/08/2016 - 09h23

Após mais um latrocínio na capital gaúcha, o secretário da Segurança do Rio Grande do Sul, Wantuir Jacini, pediu exoneração na noite de ontem (25). Ele já comandou a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, na gestão do ex-governador André Puccinelli (PMDB).

O governador José Ivo Sartori (PMDB) anunciou a criação de um "Gabinete de Crise", que será coordenado pelo vice-governador José Paulo Cairoli (PSD). Uma das funções do Gabinete será responder pela Secretaria da Segurança, ainda sem titular indicado.

Os latrocínios aumentaram 34% no primeiro semestre no Estado em relação ao mesmo período do ano passado. Os crimes desse tipo saltaram de 66 para 89, segundo dados divulgados pelo governo no início deste mês.

Na manhã desta sexta-feira (26), Sartori foi a Brasília pedir ajuda da Força Nacional para "a guarda externa em presídios" e, assim, liberar os policiais militares, que hoje cumprem a função, para atuarem nas ruas.

Sartori se reunirá com o presidente interino, Michel Temer (PMDB), e com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em busca de "recursos para investimentos no sistema prisional e na aquisição de equipamentos e viaturas".

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti (PDT), tem pedido a presença da Força Nacional na cidade desde o ano passado, o que chegou a causar mal-estar entre município e governo estadual.

Nesta manhã, ele usou seu perfil do Twitter para dizer que "apoia integralmente a vinda da Força de Segurança Nacional para se somar ao trabalho da Brigada Militar e Polícia Civil" e que está "à disposição" de Sartori para colaborar.

À Rádio Gaúcha, em Brasília, Sartori afirmou nesta sexta que a crise de segurança "vem de longo tempo, de outras circunstâncias e outras realidades". "Infelizmente, temos que enfrentá-la", disse.

Há seis meses consecutivos, Sartori tem dado o calote nos salários dos servidores estaduais do Executivo, incluindo os policias, que têm recebido o salário parcelado. O ex-governador Tarso Genro (PT), apontado indiretamente por Sartori como responsável pela crise das finanças do Estado, não parcelou os salários na sua gestão.

Sobre o pedido de ajuda à Força Nacional ter demorado, Sartori disse que "não é que tenha demorado, as circunstâncias eram diferentes".

"VELÓRIO SIMBÓLICO"

Dezenas de pessoas fizeram um "velório simbólico", na noite desta quinta , em frente à casa do governador. O protesto contou com oito cruzes, que representam vítimas recentes.

A "Banda Loka Liberal", que animava os protestos pelo impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), divulgou o endereço de Sartori e convocou para o protesto na sua página do Facebook. O grupo também organiza um protesto marcado para domingo (4), às 10h (de Brasília), no Parque Farroupilha, conhecido como Redenção.

O nome do evento é "Pela Segurança - Contra a Omissão do Governador" e reivindicará a "presença da Força Nacional, Guarda Municipal armada, direito de portar arma para defesa pessoal, prioridade na segurança pública, fim da redução de pena e fim do semiaberto".

O crime que motivou a saída de Jancini ocorreu por volta das 18h desta quinta, em frente ao colégio Dom Bosco, no bairro Higienópolis, área nobre da cidade.

Cristine Fonseca Fagundes, 44, estava com sua filha adolescente em um automóvel Honda Fit esperando o filho mais novo sair da escola quando foi abordada por um homem armado, que atirou enquanto Cristine tentava tirar o cinto de segurança.

Ele fugiu com outros três homens que o aguardavam sem levar o carro da vítima. Poucas horas depois, por volta das 23h (de Brasília), Jancini abandonou seu cargo de secretário.

Em nota, o governo se solidarizou com todas vítimas da insegurança do Estado, "especialmente Cristine". "A situação entristece a todos nós", diz a nota.

Jancini fez carreira na Polícia Federal, passando pelo Rio de Janeiro e Brasília. Antes de ser chamado por Sartori para assumir a pasta, em 2014, Jancini era Secretário da Segurança de Mato Grosso do Sul. Antes do latrocínio que serviu de estopim para a criação do "Gabinete de Crise", uma série de crimes semelhantes ocorreram em Porto Alegre.

Na mesma região da cidade, a zona norte, a médica Graziela Müller Lerias, 32, morreu após ser baleada em um assalto enquanto estava parada no sinal vermelho. No mês anterior, o personal trainer, Marcel Thomé, 33, pai de um bebê de dois meses, também foi assassinado enquanto estava no seu carro, em uma tentativa de assalto.

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