O Correio do Estado divulga entrevistas com os 15 candidatos à prefeitura de Campo Grande, conforme ordem definida em sorteio. Hoje, é a vez do candidato Marquinhos Trad (PSD), que diz ter se preparado durante os últimos 21 anos para assumir o cargo. Trad fala sobre os projetos prioritários, como reforma e ampliação de escolas e creche, além de reordenamento da saúde, com investimentos no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O candidato se diz contra a proposta de implantação das Organização Social de Saúde (OSS) para administrar hospitais da Capital.
CORREIO PERGUNTA
Quais são os setores prioritários do seu projeto de gestão?
MARQUINHOS TRAD -
Em primeiro lugar, arrumar a casa, avaliar a capacidade financeira, ver o tamanho do rombo e imediatamente recuperar e criar novos projetos para captarmos recursos. Feito isso, vamos com todo esforço para a área da saúde. Quem tem dor não pode esperar. É meta reorganizar o setor, motivar os funcionários públicos, elaborando um plano de cargos e carreira, não terceirizando a gestão da saúde e investindo na atenção básica. Cuidar das pessoas antes que fiquem doentes. É preciso atacar a causa e não a consequência.
Nessa mesma linha entra a educação. Não dá mais para as nossas crianças serem alimentadas com chá e bolacha e receberem material escolar quase na metade do ano letivo. Merenda precisa ser de qualidade total e material escolar e uniforme entregues no primeiro dia de aula. Vamos investir na capacitação de professores, na conclusão e construção de novos Ceinfs (Centros de Educação Infantl); reforma e ampliação de escolas; valorização dos profissionais da educação, dar condições dignas de trabalho e remuneração adequada . Queremos as escolas por tempo semi e integral para aumentar o tempo de estudo dos alunos e prepará-los melhor para os desafios do futuro.
Em paralelo à saúde e educação, temos que arrumar a cidade, acabar com o lixo, buracos, iluminar as ruas e reforçar a segurança dos estabelecimentos públicos, para dar tranquilidade ao usuário. Vamos arremangar as mangas e trabalhar muito.
Especificamente sobre saúde, qual plano para melhorar o sistema da cidade?
Como já disse, o plano de cargos e carreira vai trazer a autoestima e motivar o funcionário. O postinho vai se transformar na clínica da família, com ampliação da área de cobertura do atendimento básico, com enfermeiros, médicos, técnicos, agentes de saúde e cirurgião dentista, vacinas, material para curativos. Enfim, com estrutura para funcionar. Também vamos reequipar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A saúde será prioridade em nossa gestão. Aqui não vai ter essa de OSS. Não vamos terceirizar a saúde. Isso é compromisso.
Como pretende impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade?
Não se pode mentir. É preciso falar a verdade. A economia de uma cidade depende muito do ambiente macroeconômico, dos indicadores financeiros, mas vamos fazer nossa parte, apoiando e incentivando toda forma de geração de emprego e renda, sempre com responsabilidade.
A prefeitura tem que ser parceira de quem empreende. São eles que girarão a roda da economia da cidade. Vamos implantar o maior programa de capacitação de mão de obra de Campo Grande. Junto com a associação comercial e o conselho de diretores lojistas, vamos planejar e executar ações em conjunto para fortalecer o comércio e voltar a gerar empregos.
Acredito que vamos conseguir oxigenar as esperanças e impulsionar sim o crescimento da cidade. Agora, se você me perguntar se vai ser fácil eu digo: não vai ser. Por isso, comigo não tem essa de nomeação e loteamento da prefeitura para apadrinhados. Vamos contar com os técnicos bons, que são os efetivos, e com uma equipe técnica muito capacitada.
Como colocar em prática esses projetos em tempo de crise financeira e baixo crescimento da arrecadação?
Com medidas urgentes: primeiro cortando gastos desnecessários e acabando com o desperdício, recuperando e criando novos projetos, buscando parceria com os governos estadual e federal, não comprometendo as contas públicas, não gastando mais do que se arrecada e o principal: trabalhando muito, com criatividade e boa vontade. Eu me preparei para este momento. Já enfrentei outras dificuldades antes, como a toda poderosa Enersul.
A cidade passou por um turbulento período político como avalia as consequências para a Capital?
Primeiro que eu lamento, porque quem paga pelas brigas políticas é a população, que fica insegura e não tem nada a ver com isso. Acho que a cidade parou nestes últimos quatro anos e, que fique bem claro: não somos contra ninguém. Agora, não dá para fechar os olhos para o que está acontecendo. É preciso trazer de volta a estabilidade da gestão, sem brigas, dialogando com a sociedade. Ninguém governa sozinho, ninguém é dono da verdade. Eu vou ser prefeito e preciso da ajuda das pessoas. O sucesso de uma gestão depende da participação. O mundo mudou, a economia mudou. As pessoas estão ligadas, conectadas. É preciso transparência e participação mesmo.
Qual seu diferencial para tornar-se prefeito de Campo Grande?
Eu me preparei tecnicamente, emocionalmente, durante 21 anos e com muita tranquilidade digo: conheço os problemas das pessoas, da mãe que espera por uma vaga na creche, do funcionário público que trabalha pressionado pela falta de condições, da professora, do pai de família. Eu entrei nas casas das pessoas. Fizemos o projeto “Conversa com a Nossa Gente” e andamos por toda a cidade levantando os problemas e anotando as sugestões. Não tive a oportunidade. Não sou vice-governador e nem prefeito. Vou ser prefeito e aí vou mostrar nossa diferença, falando a verdade e encarando os problemas de verdade. Eu estou pronto!