O Correio do Estado divulga entrevistas com os 15 candidatos à prefeitura de Campo Grande, conforme ordem definida em sorteio. Hoje, é a vez do candidato Marcos Alex (PT), que defende a implantação do orçamento participativo e criação de planos de cargos e carreira. Na saúde, um dos projetos é a instalação de farmácia 24 h e construção de hospital municipal. Outra proposta, na infraestrutura, é a criação de usina própria de asfalto que teria como objetivo o recapeamento das ruas. O candidato acredita que seu diferencial é aposta na gestão participativa.
CORREIO PERGUNTA
Quais são os setores prioritários do seu projeto de gestão?
MARCOS ALEX - Para uma gestão eficiente e de resultados, nossas prioridades passam pela valorização dos servidores municipais, a transparência na administração e a implantação do orçamento participativo. Com isso, será possível oferecer melhor atendimento na saúde; educação com qualidade; segurança nos bairros, com apoio da Guarda Municipal reconhecida. Queremos a participação da sociedade, por meio dos conselhos e dos movimentos sociais. O povo vai poder apontar as prioridades em cada uma das sete regiões da cidade.
Especificamente sobre saúde, qual plano para melhorar o sistema da cidade?
É essencial valorizar os servidores da saúde, com a criação do plano de cargos e carreira. Assim, acabaremos com a falta de médicos. Toda unidade será comandada por servidor de carreira. Para nós, o atendimento da saúde preventiva e atenção básica serão priorizados, sem deixar de estruturar os centros regionais e UPAS, com a informatização dos consultórios, o que tornará a consulta mais ágil e segura. Não vai faltar remédios e as farmácias vão abrir 24 horas. A construção do Hospital Municipal para os pacientes da Capital é outro compromisso, para acabar com as filas de espera por um leito de UTI. E vamos fortalecer o SUS, contra qualquer terceirização na saúde.
Como pretende impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade?
Reduzindo a burocratização e informatizando as nossas secretarias. Assim, os processos vão tramitar de forma digital, como já ocorre no Poder Judiciário. O objetivo é acelerar os pedidos de liberação de novos empreendimentos. Vamos realizar ampla revisão na política de incentivos para instalação de novas empresas, visando maior geração de emprego e renda. Outra medida para fomentar o comércio central é trazer os moradores para ocupar os vazios no centro da cidade, com a implantação de 15 mil unidades habitacionais. Promover e estimular o turismo de negócios com objetivo de desenvolver o segmento, abandonado nos últimos anos. A Capital tem potencial para o crescimento econômico, mas precisa de gestão competente e visão empreendedora. Temos que voltar a planejar a cidade.
Como colocar em prática esses projetos em tempo de crise financeira e baixo crescimento da arrecadação?
Simples, usando o dinheiro público que hoje a Prefeitura repassa para empresas de fora da cidade e fomentando o comércio na Capital. Vamos priorizar a aquisição de bens e serviços com as pequenas e micro-empresas locais. A implantação do Cartão Educação, projeto de nossa autoria na Câmara, vai injetar cerca de R$ 6 milhões no comércio. Com ele, os pais, mães ou responsáveis pelos estudantes da Rede Municipal podem escolher comprar os materiais escolares nas lojas credenciadas. O mesmo pode ser feito na aquisição dos uniformes, ou seja, incentivar a fabricação e a comercialização com as empresas daqui. A compra da merenda escolar vai priorizar os agricultores familiares, como forma de gerar mais renda aos pequenos produtores e fazer girar o dinheiro na cidade. Na infraestrutura, a criação da usina própria de asfalto para o recapeamento das ruas vai possibilitar a contratação de pequenas e médias empresas. Vamos elaborar parcerias com governo do estado e donos de imóveis vazios no centro da cidade, no sentido de revitalizá-los e construir novas unidades, 15 mil ao todo. São medidas simples que fortalecem a economia. Depende da vontade política. Por isso, a boa relação com a Câmara é essencial.
A cidade passou por um turbulento período político como avalia as consequências para a Capital?
Nossa avaliação é que a Capital precisa de um prefeito e uma equipe competente, com capacidade de atuar harmonicamente e apresentando resultados. Transparência e seriedade no tratamento do dinheiro público são fundamentais. Não é possível o município gastar mais de R$ 200 milhões com tapa buraco. Essa turbulência poderia ter sido evitada se o atual prefeito tivesse a capacidade de diálogo. O gestor público deve administrar para a população, acima de seus interesses. Para evitar que a atual situação se agrave ainda mais, trazendo mais sofrimento ao povo, o próximo prefeito terá de ser uma pessoa descentralizadora e desprovida do personalismo. Vai ter de dialogar com a Câmara Municipal, com os deputados estaduais e federais e, também, com os governos Estadual e Federal.
Qual seu diferencial para tornar-se prefeito de Campo Grande?
Penso que o diferencial é o compromisso com uma gestão participativa, dialogando com as pessoas, com os órgãos governamentais e não governamentais, com vistas a trazer recursos para melhorar a cidade e desenvolver ações em parcerias para beneficiar a população. Vamos implementar o orçamento participativo, com ampla participação popular, possibilitando debater com a sociedade a melhor forma e onde aplicar o dinheiro público. Queremos fortalecer o trabalho dos conselhos regionais, o planejamento da cidade e levar a Prefeitura aos bairros para atender as demandas mais urgentes, que atenda a comunidade local. Nossa gestão será feita por meio da construção de espaços democráticos visando a gestão cidadã e humanizada.