Equipe conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Estadual (MPE) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) irá avaliar quantidade e qualidade do material reciclável entregue aos catadores que atuam como cooperados reunidos em três cooperativos e uma associação.
A concessionária responsável pela limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos em Campo Grande é questionada sobre a parceria que precisa estabelecer com os catadores. A categoria garante que pelo menos 300 toneladas poderiam ser recicladas, mas são descartadas pela Solurb de forma inadequada no aterro sanitário.
A avaliação será feita no dia 27 de setembro. A data foi anunciada hoje pelo Ministério Público do Trabalho.
Houve audiência pública hoje à tarde que definiu a necessidade dessa avaliação. Essa reunião foi acertada depois de manifestação de grupo de catadores ocorrida na terça-feira (6). Eles fecharam trecho da BR-262, perto do aterro sanitário, entre 9h30 e 11h30.
Os trabalhadores ainda denunciaram que a empresa estaria fazendo demissões arbitrárias.
"Na audiência, ficou definido também que a visita técnica poderá ser acompanhada por dois catadores com legitimidade de representação devidamente comprovada. Além disso, nos próximos cinco dias úteis, catadores, Solurb e Município de Campo Grande poderão apresentar critérios a serem analisados pela perícia", informou nota do MPT.
PAGAMENTO DEFASADO
Os catadores recebem salário mínimo para trabalharem na Usina de Tratamento de Resíduos Sólidos (UTR) e complementam a renda com o que é separado de reciclável. Por isso, quanto maior o volume de resíduos destinados corretamente, maior é a receita dos trabalhadores.
Representante da Solurb presente na audiência alegou que há elevado índice de rejeito (materiais descartados pelos catadores), chegando a 60%. Os produtos não utilizados seriam plástico, vidro e metal, com menor valor de mercado. A empresa sustentou que fez estudo em maio para realizar essa identificação.
A concessionária divulgou que há 105 catadores na UTR e 170 estão interessados em se tornarem cooperados. A usina pode receber 414 trabalhadores, em três turnos.