O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) vai averiguar se houve erro no atendimento de Enzo Manoel, de 1 ano e oito meses. Ele morreu na quinta-feira (8), depois de passar por duas unidades de saúde do município. A criança foi enterrada hoje.
Enzo estava com diarreia e vômito desde quarta-feira (7) à noite. Logo pela manhã do dia seguinte, a família o levou para atendimento em unidade do bairro Guanandi. No posto, foi informado que todo atendimento da região precisava ser encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Leblon.
Adriana Godoy da Silva, mãe da criança, afirmou que quando chegou na UPA, inaugurada neste ano, não havia pediatra e médico de outra especialidade. Foi preciso aguardar para que o profissional chegasse e fizesse consulta.
A mãe afirmou que foi dado soro e, na sequência, houve o encaminhamento para que uma consulta com especialista fosse feita na UPA da Vila Almeida. Por volta das 11h, a família saiu do local.
Apesar de a necessidade de passar por outra avaliação, a transferência não aconteceu pelo próprio sistema de saúde, com viatura do Samu. O pai, mãe e Enzo foram com veículo próprio localizar a UPA Vila Almeida. Como eles não acharam e o casal tem outro filho, de 7 anos, passaram em casa para fazer o almoço.
Eles moram perto do Shopping Norte Sul e o planejamento era logo na sequência do almoço seguirem de táxi, que fica no centro comercial, para a UPA da Vila Almeida. Quando se preparavam para pegar o veículo, Enzo passou mal novamente.
O Corpo de Bombeiros e bombeiros civis do shopping chegaram a prestar socorro, mas não conseguiram salvar a criança.
INVESTIGAÇÃO
A Polícia Civil vai investigar o caso porque a família registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia.
A presidente do CRM-MS, Rosana Leite de Melo, afirmou hoje que o órgão também vai analisar os procedimentos tomados. Segundo ela, se houve o encaminhamento para transferência seria necessário que a criança seguisse em viatura para hospital e não para outra UPA.
"É preciso averiguar o que aconteceu e vamos analisar o caso para identificar se houve alguma falha", explicou.
PREFEITURA
O governo municipal de Campo Grande confirmou que Enzo deu entrada na UPA Leblon às 8h16 com quadro de desidratação grave, vomitando e com diarreia.
"Foram feito todos os procedimentos médicos e a criança foi regulada às 10h30 para ir ao Vila Almeida. A mãe foi orientada a levar imediatamente a criança à UPA, onde o tratamento seria prosseguido pelos pediatras", informou nota oficial.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande, a partir de avaliação médica, Enzo estaria passando mal há mais de um dia e que a última consulta dele que consta no sistema de saúde foi em 2015. Crianças com a idade dele precisam consultar mensalmente.
"A assistente social da UPA (Leblon) conversou com a mãe, deu as orientações e a mãe garantiu que iria até a UPA Vila Almeida terminar o tratamento da criança", justificou a prefeitura.
O poder público questiona o fato de a família ter demorado para levar a criança para atendimento médico. "Do aconselhamento na UPA Leblon até a morte da criança se passaram em torno de 5 horas do atendimento", alegou o governo municipal.
A Secretaria Municipal de Saúde vai instaurar sindicância para averiguar se houve irregularidades no procedimento.