Cidades

Caos na segurança

Sistema desligado facilita estelionato e roubos de veículos no Estado

Governo e empresa que gerencia o Sigo estão em impasse

Redação

18/09/2016 - 05h00

A retirada do ar do Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo), ferramenta informatizada usada pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul, traz mais problemas do que a demora no registro de boletins de ocorrência, que agora são feitos manualmente, e a ineficácia na checagem da situação legal de suspeitos, como tem sido evidenciado. A ausência de um sistema que permita a troca rápida de informações entre as delegacias torna-se prato cheio para ladrões de veículos e estelionatários. Isso porque se leva mais tempo para formalizar denúncias através de sistemas alternativos, dando vantagem para os criminosos. 

Tal cenário ocorre dois meses depois que o Governo Reinaldo Azambuja lançou o Programa MS Mais Seguro, com previsão de R$ 96 milhões em investimentos. O Governo do Estado e a Compnet Tecnologia Ltda., empresa responsável pelo fornecimento e manutenção da plataforma, ainda não se acertaram. O contrato está vencido desde o ano passado, e a renovação, embora discutida amplamente, não foi assinada. Isso porque o Estado ainda aguarda aval jurídico para aprovar a renovação. Caso não haja acordo, será necessário um plano B, que ainda não foi levantado e, mesmo que existisse, levaria tempo até ser implementado.

Enquanto a situação não é resolvida, a população corre riscos, afirma Giancarlo Correa Miranda, diretor-presidente do Sindicato Estadual dos Policiais Civis (Sinpol-MS). Segundo ele, a própria sociedade desiste de procurar a polícia, situação que resulta em ameaça à ordem social. “[Nós policiais] dependemos da tecnologia da informação, mas quem mais sofre é a sociedade, que fica à mercê da criminalidade”, disse ele. “O Sigo é nossa principal ferramenta de trabalho. Sem ele, as coisas ficam mais difíceis”, completou.

Reportagem de Renan Nucci está na edição de hoje do Correio do Estado.

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