Cidades

AMOR SEM BARREIRAS

Avó aprende a ler para ajudar neto na lição de casa

A faxineira de 66 anos não pôde estudar porque seu pai achava que escola era coisa de homem

Redação

27/09/2016 - 18h15

É comum que as crianças peçam ajuda na lição de casa às vezes. Porém este pedido que pode ser considerado até simples, foi o principal motivo para faxineira de 66 anos, Maria das Mercês Silva resolver encarar todos os preconceitos de frente e voltar aos estudos.

Tudo começou quando o seu neto Felipe pedir ajuda nas tarefas escolares e, como resposta, ouvia o choro de Maria. “Eu chorava porque eu não conseguia ajudar nas tarefas”, lembra. “Vovó, vamos para a escola. Vai ser bom para você. Você vai aprender e vai me ensinar”, passou a dizer o neto.

O garoto de 10 anos vive com Maria desde que tinha 1 ano e 6 meses. Sem contato com os pais desde então, o menino sempre foi incentivado a estudar pela avó, que não teve as mesmas oportunidades do neto quando morava em Pernambuco.

Segundo ela, o desejo de estudar sempre foi presente mas barrado pelo seu pai. Ele acreditava que estudo era coisa de homem e mulher tinha que se dar bem na cozinha. 

Hoje, há dois anos desde que começou a estudar, ela não perde uma única aula. Segundo a pedagoga Priscila Correia Costa, que falou ao site UOL, dos exercícios de matemática aos treinos de educação física, ela participa de todas as atividades propostas pelos professores da Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves.

“Ela não falta aula. Empresta livros toda semana na biblioteca. Ela evoluiu muito”, afirma Priscila. Maria está no 2º período do EJA (educação de jovens e adultos) – o equivalente ao 4º e 5º anos do ensino fundamental – em uma turma de 12 alunos com idades entre 36 e 71 anos.

Enquanto Maria está em aula, Felipe aguarda em uma sala de acolhimento, onde brinca e desenvolve atividades educativas. “Ela já melhorou muito. Reconhece palavras, escreve e sabe ler. Eu costumo corrigir as lições dela, mas eu quero que um dia ela corrija as minhas”, diz.

Com o avanço notável na escola, Maria orgulha-se em dizer que agora não tem mais medo de andar de ônibus, tarefa simples mas que para faxineira era quase impossível.

“Eu estou muito feliz. Estou igual a uma criança. Sabe quando a pessoa está cega e começa a enxergar? É isso que está acontecendo comigo hoje. Aprendendo a ler e a escrever, eu nasci de novo”, disse.

Com essa história tocante, é possível relembrar que nunca é tarde demais para investir na própria educação. Inspirador!

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