Cidades

Muletas

Eleitora de muletas não consegue votar por falta de acessibilidade

Angel perdeu a perna esquerda aos 20 anos, em acidente de trânsito

Redação

02/10/2016 - 14h28

Moradora de Campo Grande, Angel Campos Magalhães, de 23 anos, acordou cedo para votar neste domingo, mas não conseguiu. Depois de passar por três locais diferentes de votação, a jovem, que tem uma perna amputada e anda de muletas, não conseguiu chegar até a seção indicada por conta de escada.

“Como fui no primeiro horário, deixei a prótese em casa e fui de muletas. Cheguei na Escola Padrão, na Avenida Mato Grosso, onde sempre votei, e lá me informaram que a escola tinha mudado para a Rua Joaquim Murtinho com a Avenida Ceará. Segui pra lá, e me informaram que a votação daquela escola estava sendo na Ceará com a Euclides da Cunha, na faculdade Cesumar”, contou a fotógrafa.

Ao chegar na terceira escola, Angel pensou que finalmente iria votar. “Cheguei lá e me deparei com lances enormes de escada. Na parte térrea tinham duas seções funcionando, mas não eram a minha, a minha era na parte superior. Mas como eu estava de muleta, sem a prótese, não consegui subir a escada, então, não votei, pois no lugar não tinha elevador e nem rampa”, reforçou Angel.

Sem conseguir se locomover até a seção, funcionários tiveram que registrar que ela compareceu, mas não conseguiu votar. “Pegaram meus documentos e registraram em ata que eu fui votar, mas não consegui. Enquanto aguardava o procedimento, vários idosos reclamaram de terem de subir os lances de escada.”

Indignada, a eleitora disse que vai fazer reclamação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nesta segunda-feira (3).

“Já fiz a reclamação ao Ministério Público Estadual e Federal, amanhã faço no TRE. Isso que aconteceu comigo é um absurdo. E se cadeirantes aparecessem por lá, como iriam votar? O voto é obrigatório e eu não pude exercê-lo”, pontuou.

Com necessidade especial desde 2013, quando perdeu quase toda a perna esquerda em acidente de trânsito, Angel se sente revoltada com a falta de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.

“Diversas pessoas passam por isso e acabam não falando nada, as pessoas não sabem nem como denunciar em casos como este, um absurdo, eu não consegui votar”, finalizou.  

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