Cidades

OBSTRUÇÃO

Policiais do Senado tentaram impedir busca na casa de Collor, diz PF

Delegada que integrou operação narrou 'bate-boca' com diretor do órgão

Redação

22/10/2016 - 13h46
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O inquérito da Polícia Federal na Operação Métis, que investiga suposta tentativa da Polícia do Senado de inibir ações da Operação Lava Jato, narra que policiais legislativos tentaram impedir uma busca realizada no apartamento funcional do senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL).Collor é um dos parlamentares investigados na Lava Jato.

De acordo com o inquérito, em julho de 2015, a PF cumpria mandados de busca e apreensão no apartamento funcional e também na Casa da Dinda, de propriedade do ex-presidente.

Segundo relato da delegada que chefiava a missão, Andréa Pinho Albuquerque, os policiais legislativos apareceram no local exigindo o mandado judicial e alegando que a Polícia do Senado deveria ter sido previamente comunicada.

"No momento em que a equipe abriu a porta para sair da residência, fomos surpreendidos pela presença de aproximadamente sete policiais legislativos, que impediram nossa saída", relatou a delegada, acrescentando que o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, "esbravejava de forma bastante ríspida que a diligência estava eivada de nulidade".

A saída dos policiais federais só teria sido permitida por Carvalho depois de um "bate-boca" entre um membro do Ministério Público que acompanhava a operação e um diretor da Polícia Civil, também presente.

"Esta signatária [delegada Andréa Pinho Albuquerque] dirigiu-se a esse senhor [diretor da Polícia Civil] informando-lhe que ele estaria praticando cárcere privado, e se não permitisse a saída imediata da equipe policial e das demais pessoas que acompanharam a diligência, ser-lhe-ia dada voz de prisão", relatou a advogada.

O relato foi enviado num ofício datado de 15 de julho enviado ao delegado Tiago Delebary, coordenador da Operação Politeia, fase da Lava Jato que apreendeu documentos e veículos de luxo do ex-presidente, investigado por suposto recebimento de propina da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.

A Operação Métis, deflagrada nesta sexta (21), apura a conduta de policiais legislativos suspeitos de prestar serviço de contrainteligência para ajudar senadores investigados na Lava Jato e em outras operações.

A suspeita é que esses policiais faziam varreduras nas casas dos políticos para, por exemplo, identificar e eliminar escutas instaladas com autorização judicial.

O principal suspeito é o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, apontado pelo juiz federal que autorizou a operação, Vallisney de Souza Oliveira, como líder da "associação criminosa" e "responsável pelas condutas e autor das ordens aos demais membros", com "domínio pleno dos fatos".

Em depoimento à Métis em junho deste ano, o policial legislativo Carlos André Ferreira Alfama, que não é investigado no caso, confirmou a atuação de Pedro Carvalho na busca no apartamento de Collor.

“Houve ordem de Pedro Ricardo de Araújo Carvalho no sentido de os policiais envidarem esforços para impedir a entrada da Polícia Federal em apartamentos funcionais de senadores, no cumprimento de mandado de busca", disse Alfama aos investigadores.

O policial legislativo acrescentou que após a busca da PF, Carvalho ordenou uma varredura na casa de Collor para encontrar equipamento de escuta eventualmente instalado pela PF.

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