Cidades

CAVALO DOIDO

Chefão do tráfico usava esposa como laranja em esquema de R$ 1 bilhão

Conta bancária e telefone celular de mulher de traficante eram usados

Redação

04/11/2016 - 16h12

Três esposas de traficantes foram levadas coercitivamente - prestar depoimento à força, na manhã de hoje, pela Polícia Federal, durante a Operação Cavalo Doido, deflagrada para combater quadrilha especializada em distribuir maconha do Paraguai para Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará e Distrito Federal. Uma delas, inclusive, é mulher do traficante preso, que morava em Ponta Porã, considerado chefe do esquema. Além dele, outras duas pessoas foram presas hoje.

A intenção da polícia é investigar até onde vai o envolvimento das mulheres no esquema do tráfico de drogas, já que as contas bancárias e os telefones celulares das mesmas eram usados para transações e negociações criminosas.

A polícia acredita que nos últimos anos grupo de traficantes tenha movimentado cerca de R$ 1 bilhão. Para acabar com o tráfico, a operação conjunta da PF com a Polícia Nacional do Paraguai acredita que acabar com as plantações de maconha seja o primeiro passo. A informação foi repassada hoje, durante coletiva de imprensa, em Ponta Porã.

Na ocasião, as autoridades policiais apontaram que, atingir o ciclo econômico da organização seja um dos meios de capturar os integrantes da facção criminosa. “Se essa plantação é detectada e destruída, estamos impedindo o tráfico, que é mais difícil de combater”, explicou o Ministro da Secretaria Nacional Anti Drogas do Paraguai, Hugo Vera.

Conforme as autoridades policiais, a PF foca nas operação de repressão ao tráfico de drogas visando o patrimônio das organizações criminosas. “Esse é o objetivo que tentamos atingir para desarticular a organização que esteja atuando no tráfico de drogas, e não apenas busca e apreensão de drogas”, ressaltou o ministro.

Em Goiânia, um dos estados receptores da maconha, a Operação Cavalo Doido identificou pontos de plantios ilícitos no lado do Paraguai. O nome da operação se deve a forma com que a organização transportava a droga para Goiás, Tocantins, Distrito Federal e Pará. Os veículos utilizados tinham bancos e acessórios arrancados e todo o espaço era ocupado com grande quantidade de drogas, sem qualquer tipo de disfarce.

Carregados, veículos seguiam em grande velocidade, sem paradas, e sem respeitar qualquer tipo de sinalização ou autoridades. O objetivo era evitar perdas e chegar o mais rápido possível ao ponto onde o entorpecente seria vendido.

Ao todo, 370 hectares de plantação de maconha foram destruídas em território paraguaio, o que representa 94 toneladas da droga que não entrarão em circulação no mercado de produtos ilícitos. Foram interceptados 154 acampamentos e mais de 550 toneladas de maconha, ou seja, a organização criminosa teve prejuízo de mais de R$ 35 milhões de dólares.

De toda a droga produzida no país vizinho, 80% tem destino território brasileiro. Diante dos números apresentados, as polícias estão convencidas de que a única forma de acabar com o tráfico é a atuação conjunta das forças nacionais combatendo ano a ano as novas plantações de maconha. A movimentação financeira da organização criminosa gira em torno de R$ 1 bi, conforme a PF.  

JORGE RAFFAT

Com a morte de um dos principais chefes do narcotráfico na fronteira, Jorge Rafaat Toumani, no dia 15 de junho, em Ponta Porã, a informação ventilada é de que o PCC esteja se instalando no local. As autoridades policiais não quiseram comentar o assunto a fim de não atrapalhar as investigações, mas afirmaram que planejamento nesse sentido já está sendo executado.

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